Mais saúde, Mais Educação: Efeitos do Programa SANAR sobre as geohelmintiases, desnutrição infantil e desempenho educacional em Pernambuco.
Geohelmintíases. Esquistossomose. Desnutrição Infantil. Avaliação de Políticas Públicas. Saúde Coletiva. Atenção Primária à Saúde.
As doenças tropicais negligenciadas permanecem fortemente associadas às desigualdades sociais, à
precariedade das condições sanitárias e à vulnerabilidade territorial, afetando de forma
desproporcional populações infantis residentes em contextos de pobreza. Entre esses agravos, as geo-helmintíases destacam-se pelas repercussões sobre o estado nutricional, o desenvolvimento físico e o desempenho educacional de crianças em idade escolar. Nesse contexto, o Programa SANAR —Estratégias de Enfrentamento às Doenças Negligenciadas — foi instituído pelo Governo do Estado de Pernambuco, em 2011, como uma política pública territorializada voltada ao enfrentamento integrado das doenças negligenciadas em municípios prioritários. Esta tese teve como objetivo analisar os efeitos do Programa SANAR sobre as taxas de positividade para geo-helmintíases, as internações por desnutrição infantil e o desempenho educacional em Pernambuco. Trata-se de um estudo quantitativo, ecológico e longitudinal, desenvolvido a partir de dados em painel dos
municípios pernambucanos no período de 2008 a 2014. Foram utilizados dados provenientes do
Sistema de Informação do Programa de Controle da Esquistossomose (SISPCE), Sistema de
Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Sistema de Avaliação Educacional de Pernambuco (SAEPE) e demais bases administrativas públicas. A estratégia empírica baseou-se em modelos de Diferenças-em-Diferenças com efeitos fixos, utilizando o estimador de Callaway e Sant’Anna para avaliação dinâmica dos efeitos do programa ao longo do tempo. Adicionalmente, foram realizadas análises de robustez por meio de Propensity Score Matching combinado ao Diferenças-em-Diferenças e modelos de econometria espacial. Os resultados
evidenciaram reduções estatisticamente significativas nas taxas de positividade de esquistossomose, Ascaris lumbricoides e Trichuris trichiura nos municípios prioritários após a implementação do SANAR. Observou-se também redução nas internações por desnutrição infantil e melhora nas proficiências em Língua Portuguesa e Matemática. Em termos relativos, os efeitos estimados representaram reduções expressivas das médias pré-tratamento dos municípios prioritários, sobretudo nos desfechos epidemiológicos e nutricionais. Conclui-se que o Programa SANAR apresentou efeitos relevantes sobre indicadores de saúde infantil, sugerindo que estratégias territorializadas de enfrentamento às doenças negligenciadas podem produzir repercussões indiretas sobre condições nutricionais e desempenho educacional. Os achados reforçam a importância de políticas públicas intersetoriais articuladas à Atenção Primária à Saúde e à vigilância epidemiológica para redução das desigualdades em saúde e promoção do desenvolvimento humano em territórios vulneráveis.