AVALIAÇÃO DE FRAGILIDADE E SARCOPENIA EM PACIENTES COM DOENÇA RENAL CRÔNICA SEGUNDO A MODALIDADE TERAPÊUTICA
Doença Renal Crônica; Fragilidade; Sarcopenia.
A doença renal crônica (DRC) é uma condição progressiva e multifatorial associada à elevada morbimortalidade, hospitalizações recorrentes e declínio funcional. Entre as síndromes que agravam esse prognóstico, destacam-se a fragilidade e a sarcopenia, ambas relacionadas à perda de funcionalidade, pior qualidade de vida e maior risco de mortalidade. Considerando que a manifestação dessas condições pode variar conforme a modalidade terapêutica, este estudo teve como objetivo avaliar a prevalência e os fatores associados à fragilidade e à sarcopenia em pacientes com DRC submetidos a diferentes modalidades terapêuticas em um centro de referência de Recife, Pernambuco. Trata-se de um estudo transversal, baseado em dados secundários previamente coletados, incluindo variáveis sociodemográficas, clínicas, antropométricas e funcionais. A fragilidade foi avaliada segundo os critérios propostos por Fried et al. (2001), enquanto a sarcopenia foi identificada por meio da força de preensão palmar, conforme o consenso European Working Group on Sarcopenia in Older People 2 (Cruz-Jentoft et al., 2019), utilizando-se esse parâmetro como estratégia de rastreamento da condição. Foram avaliados 150 pacientes, distribuídos igualmente entre os grupos tratamento conservador, hemodiálise e transplante renal (n=50 por grupo). A prevalência de fragilidade foi de 49,3%, sendo maior entre os pacientes em hemodiálise (66,0%), associando-se ao sexo feminino, à idade avançada e à presença de comorbidades. Na análise multivariada, o sedentarismo (RP=8,69) e a redução da velocidade de marcha (RP=3,12) permaneceram associados ao desfecho. A prevalência de sarcopenia foi de 33,3%, com maior frequência entre os pacientes em hemodiálise (48,0%), apresentando associação com câncer, desnutrição avaliada pela circunferência do braço e redução da velocidade de marcha. Não foram observadas associações significativas entre as síndromes e o índice de massa corporal, evidenciando a ocorrência dessas condições também em indivíduos com excesso de peso. Conclui-se que a fragilidade e a sarcopenia apresentam elevada prevalência em pacientes com DRC, especialmente entre aqueles submetidos à hemodiálise. Ambas as síndromes estiveram associadas ao comprometimento funcional, destacando-se a redução da velocidade de marcha como um marcador clínico relevante e potencialmente aplicável na prática assistencial. Os achados reforçam a importância do rastreamento precoce e da implementação de intervenções multiprofissionais voltadas ao suporte nutricional, à promoção da atividade física e à preservação da funcionalidade e da qualidade de vida dessa população.