AVALIAÇÃO DE FRAGILIDADE E SARCOPENIA EM PACIENTES COM DOENÇA RENAL CRÔNICA
Doença Renal Crônica; Fragilidade; Sarcopenia
Introdução: A Doença Renal Crônica (DRC) é uma condição progressiva e multifatorial associada a elevada
morbimortalidade, hospitalizações recorrentes e declínio funcional. Entre as síndromes que agravam esse
prognóstico, destacam-se a fragilidade e a sarcopenia, ambas altamente prevalentes em pacientes renais e
relacionadas à perda de funcionalidade, menor qualidade de vida e maior risco de mortalidade. Na DRC, esses
fenômenos são potencializados por mecanismos como inflamação crônica, acidose metabólica, anemia,
distúrbios hormonais e desperdício proteico, os quais contribuem para deterioração da massa e força muscular.
Considerando que a expressão dessas síndromes pode variar conforme a modalidade terapêutica: tratamento
conservador, terapia dialítica ou transplante renal, torna-se imprescindível compreender sua distribuição e
fatores associados.
Objetivo: avaliar a prevalência de fragilidade e sarcopenia em pacientes com doença renal crônica,
considerando diferentes tipos de tratamento em um centro de referência de Recife.
Metodologia: Trata-se de um estudo transversal, baseado em banco de dados previamente coletado, incluindo
variáveis sociodemográficas, clínicas, antropométricas e funcionais. A fragilidade foi avaliada segundo os
critérios de Fried, enquanto a sarcopenia foi identificada pela força de preensão palmar e demais indicadores
clínicos pertinentes.
Resultados: A síndrome da fragilidade foi identificada em 49,3% dos pacientes, sendo mais prevalente na
hemodiálise (66,0%) e associou-se positivamente à idade avançada, baixa escolaridade, presença de
comorbidades, especialmente diabetes, doenças cardiovasculares e câncer, desnutrição, sedentarismo e
redução da velocidade de marcha. A sarcopenia esteve presente em 33,3% da amostra, com maior prevalência
na hemodiálise (48,0%) e entre pacientes com desnutrição, depleção de massa muscular e baixa mobilidade.
Observou-se que 25,3% dos pacientes apresentaram coexistência de fragilidade e sarcopenia, sendo este
fenótipo mais frequente entre indivíduos em hemodiálise (53,8%) e naqueles com declínio funcional
significativo.
Conclusão: Os achados evidenciam uma elevada frequência de fragilidade e sarcopenia na DRC,
especialmente entre pacientes em hemodiálise, e apontam para a importância do rastreio sistemático e de
intervenções multidisciplinares direcionadas à preservação da capacidade funcional e melhora dos desfechos
clínicos.