AVALIAÇÃO DA SEGURANÇA DE USO, DO EFEITO GASTROPROTETOR E DA REPARAÇÃO CUTÂNEA DE UMA FORMULAÇÃO À BASE DE ÓLEOS FIXOS DE Cocos nucifera E Persea americana EM MODELOS EXPERIMENTAIS
Óleos vegetais; Gastroproteção; Cicatrização; Toxicologia; Cocos nucifera; Persea americana.
Os óleos fixos de Cocos nucifera L. e Persea americana Mill. apresentam propriedades farmacológicas descritas na literatura, incluindo efeitos antiinflamatórios, antioxidantes, antibacterianos, hidratantes, gastroprotetores e cicatrizantes. No entanto, ainda são limitados os estudos que avaliam simultaneamente a segurança de uso e a eficácia farmacológica da associação desses óleos, especialmente quando incorporados em formulações farmacêuticas. Assim, estudo objetivou-se avaliar a segurança de uso, a atividade gastroprotetora e o potencial de reparação cutânea da associação dos óleos fixos de C. nucifera e P. americana (COFCP), bem como de sua formulação semissólida (FSOCP), em modelos experimentais in vitro e in vivo.Os óleos foram obtidos por prensagem a frio, combinados na proporção 1:1 e incorporados a uma base inerte para obtenção da formulação semissólida (FSOCP). A segurança de uso da COFCP e da FSOCP foi avaliada in vitro por meio do ensaio de viabilidade celular através do MTT em fibroblastos L929 em diferentes concentrações (1,50; 3,125; 6,25; 12,50; 25; 50 ou 100 µM) e in vivo em ratos Wistar no ensaio de toxicidade oral aguda conforme a diretriz (OECD 425). Além disso, a atividade gastroprotetora da COFCP e da FSOCP foi avaliada em ratos Wistar, em modelos de lesão gástrica induzida por etanol, nas doses de 30, 300 e 600 mg/kg, e por indometacina, nas doses de 300 e 600 mg/kg. O potencial de reparo tecidual da FSOCP, nas concentrações de 20%, 40% e 80%, e da COFCP, na concentração de 100%, foi investigado em modelos de feridas cutâneas excisionais e incisionais. A COFCP e a FSOCP apresentaram perfil de segurança compatível com baixa toxicidade. A avaliação in vitro da viabilidade celular, realizada por meio do ensaio de MTT em fibroblastos L929, demonstrou preservação da atividade metabólica celular, indicando ausência de citotoxicidade significativa. De forma complementar, o estudo de toxicidade oral aguda in vivo não evidenciou alterações clínicas associadas à toxicidade, reforçando a segurança e a adequada tolerabilidade dos tratamentos. Nos modelos de lesão gástrica induzida por etanol absoluto e por indometacina, a COFCP e a FSOCP apresentaram atividade gastroprotetora significativa em relação ao grupo veículo, especialmente nas doses de 300 e 600 mg/kg. Na avaliação macroscópica dos modelos de lesão cutânea excisional e incisional, a COFCP e a FSOCP a 80% apresentaram evolução macroscópica favorável do processo cicatricial, sem promover aumento significativo da contração da área lesada. A análise histomorfométrica evidenciou deposição e organização de fibras colágenas compatíveis com a progressão do reparo tecidual, especialmente nos grupos tratados com COFCP e FSOCP a 80% Em conjunto, os resultados demonstram que a associação dos óleos fixos de Cocos nucifera e Persea americana, bem como sua formulação semissólida, apresenta baixo perfil toxicológico in vitro e in vivo, associado à atividade gastroprotetora e ao potencial cicatrizante, evidenciando seu potencial como estratégia terapêutica para a proteção da mucosa gástrica e a reparação cutânea.