PREVALÊNCIA DE MANIFESTAÇÕES CUTÂNEAS E FATORES ASSOCIADOS À INFECÇÃO PELO HTLV-1 EM PACIENTES ATENDIDOS NA CLÍNICA DERMATOLÓGICA DO HOSPITAL DAS CLÍNICAS- UFPE
HTLV-1, prevalência, manifestações dermatológicas, Brasil.
O vírus linfotrópico de células T humano tipo 1 (HTLV-1) é um retrovírus de distribuição mundial, associado a condições clínicas graves, como a leucemia/linfoma de células T do adulto (ATLL) e a mielopatia associada ao HTLV-1/paraparesia espástica tropical (HAM/TSP). Além das manifestações neurológicas e hematológicas, o HTLV-1 está fortemente associado a manifestações dermatológicas, destacando-se a dermatite infecciosa associada ao HTLV-1 (DIH), um eczema crônico, recidivante e infectado, mais frequentemente descrito em crianças, mas também observado em adultos. Outras
manifestações cutâneas, como ictiose adquirida, dermatite seborreica, escabiose, vitiligo e micoses superficiais, também têm sido relatadas. Estudos prévios demonstram maior frequência de manifestações dermatológicas em indivíduos soropositivos para HTLV-1, especialmente em populações de áreas endêmicas e em contextos socioeconômicos desfavorecidos. O objetivo deste estudo foi estimar a prevalência da infecção por HTLV, identificar os tipos virais circulantes e avaliar sua associação com fatores socioeconômicos, sociodemográficos e comportamentais em pacientes com manifestações dermatológicas atendidos na Clínica Dermatológica do Hospital das Clínicas da UFPE. Trata-se de um estudo transversal analítico composto por indivíduos com manifestações dermatológicas acompanhados na clínica de dermatologia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco durante o período de 2024 e 2025. Os pacientes assinaram o Termo de
Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) e, em seguida, foram submetidos a entrevista para
coleta de dados sociodemográficos, socioeconômicos e comportamentais; as informações
clínicas foram obtidas a partir de prontuários eletrônicos por meio do sistema AGHUx. Foram
coletados 5 mL de sangue em dois tubos, que foram transportados para o Laboratório de
Virologia do Instituto Keizo-Asami (iLIKA/UFPE), essas amostras foram processadas e
armazenadas para a realização dos testes sorológicos. Para a detecção do anti-HTLV-1/2 foi
utilizado o ensaio imunoenzimático (ELISA) com o kit comercial da Murex (DIASORIN
HTLV I+II) e a confirmação dos resultados do ELISA foi realizado pela Reação em cadeia da
polimerase (PCR) convencional. A prevalência da infecção pelo HTLV-1 no presente estudo
foi de 0,99% (5/504). A análise dos dados gerais da amostra evidenciou maior frequência de
pacientes com idade superior a 45 anos, com predomínio do sexo feminino e de indivíduos
autodeclarados pardos. Ao considerar exclusivamente os casos positivos para HTLV-1,
observou-se que a faixa etária variou de 19 a 81 anos, mantendo-se o predomínio do sexo
feminino e de indivíduos pardos. Os pacientes residiam tanto em regiões metropolitanas
quanto em cidades do interior do estado. A idade da primeira relação sexual, quando
informada, variou entre 17 e 20 anos, sendo que uma paciente referiu nunca ter tido relação
sexual. O uso de preservativo foi relatado de forma irregular, incluindo uso eventual ou ausência de uso. A maioria não possuía parceiro fixo, com exceção de uma paciente. Entre os fatores de risco identificados, destacaram-se uso de seringa de vidro, transfusão sanguínea, compartilhamento ou acidente com material perfurocortante, além de histórico prévio de infecção sexualmente transmissível em um paciente. Todos relataram que foram amamentados. Em conclusão, a prevalência de infecção pelo HTLV-1 encontrada nos pacientes com manifestações dermatológicas, embora baixa, é epidemiologicamente relevante, visto que representa o primeiro levantamento realizado no estado de Pernambuco estimando a prevalência de HTLV-1 em pacientes com manifestações cutâneas atendidos em um serviço dermatológico. Os achados reforçam a importância da investigação da infecção pelo HTLV-1 em ambulatórios de dermatologia, considerando a diversidade de manifestações cutâneas associadas ao vírus e o potencial do subdiagnóstico da infecção.