ANÁLISE DA OCORRÊNCIA DE β-LACTAMASES EM BACILOS GRAM-NEGATIVOS ISOLADOS DE PACIENTES COM E SEM TUBERCULOSE INTERNADOS EM UM HOSPITAL TERCIÁRIO DE RECIFE/PE
Infecções Respiratórias Inferiores, Tuberculose, Resistência antimicrobiana, Bactérias Gram-negativas multirresistentes.
As Infecções Respiratórias Inferiores (IRIs) são uma das principais causas de mortalidade
infecciosa global, com aproximadamente 2,60 milhões de óbitos anuais. Em pacientes com
tuberculose (TB), a coinfecção com bactérias Gram-negativas multirresistentes (MDR)
representa um desafio significativo, especialmente em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs).
Este estudo analisou a ocorrência de β-lactamases em bacilos Gram-negativos isolados de
pacientes com e sem TB internados em uma UTI respiratória de um hospital terciário de
Recife/PE. Estudo descritivo de corte transversal com 71 isolados bacterianos de 49 pacientes
(abril a outubro de 2024). Os isolados foram identificados e testados para sensibilidade
antimicrobiana e genes de resistência (bla NDM , bla KPC , bla VIM , bla SPM-1 , bla OXA-23 , bla OXA-24 , bla OXA-51 , bla OXA-58 e bla OXA-143 ). Pseudomonas spp. foi o patógeno mais prevalente (39,44%), seguido
por Klebsiella pneumoniae (21,13%) e Acinetobacter baumannii (18,31%). A maioria dos
isolados foi da UTI Respiratória (45,07%) e de secreção traqueal (66,20%). A resistência a
carbapenêmicos e cefalosporinas foi elevada, com K. pneumoniae 100% resistente a
azitromicina, cefepina, ceftriaxona, ertapenem, gentamicina e piperaciclina-tazobactam,
e Pseudomonas spp. 92,9% resistente a meropenem e imipenem. Genes
como bla NDM e bla KPC predominaram em Pseudomonas spp. e K. pneumoniae enquanto bla OXA-
51 e bla OXA-23 foram mais frequentes em A. baumannii. A coinfecção com TB foi observada em 6
pacientes, com A. baumannii sendo o patógeno mais frequente (57,14%). O estudo evidenciou
alta prevalência de patógenos MDR em pacientes com e sem TB, reforçando a necessidade de
estratégias diagnósticas e terapêuticas mais precisas. A detecção de genes de resistência
destaca a importância da vigilância epidemiológica e do controle de infecções em ambientes
hospitalares, especialmente em regiões de alta carga de TB.