DESENVOLVIMENTO DE UM ESCORE SÉRICO PARA A AVALIAÇÃO DA FIBROSE PERIPORTAL NA ESQUISTOSSOMOSE MANSÔNICA UTILIZANDO APRENDIZADO DE MÁQUINA
Esquistossomose mansônica; Fibrose periportal; Metabolômica, Biomarcadores; Modelo preditivo.
A esquistossomose mansônica representa um desafio de saúde pública em regiões endêmicas, especialmente devido à evolução da fibrose periportal (FPP) para a forma hepatoesplênica. Neste trabalho, foram investigadas estratégias não invasivas para avaliação da gravidade da FPP a partir de dados laboratoriais (biomarcadores) e abordagens computacionais de análise multivariada.O primeiro estudo consistiu em uma revisão de escopo da literatura científica, comtemplando artigos publicados no período de 2014 e 2024, com a finalidade de descrever a aplicação da metabolômica na Esquistossomose. Foram analisados 14 estudos elegíveis, a maioria empregando espectrometria de massa acoplada à cromatografia para investigar alterações metabólicas associadas à infecção por Schistosoma. Os metabólitos identificados concentram-se, sobretudo, em vias relacionadas à glicólise, ciclo do ácido tricarboxílico e metabolismo de aminoácidos, refletindo a resposta do hospedeiro à infecção e apontando potenciais biomarcadores diagnósticos e terapêuticos. O segundo estudo envolveu o desenvolvimento e validação de um modelo preditivo, utilizando cinco biomarcadores séricos de rotina e algoritmos supervisionados de aprendizado de máquina. Dentre os modelos testados, a Análise Discriminante Linear (LDA) apresentou desempenho satisfatório
(AUROC = 0,88; acurácia = 80%; sensibilidade= 82%, especificidade= 78%), enquanto a Árvore de Decisão obteve (AUROC = 0,87, acurácia = 85,7%, sensibilidade = 75,0%, especificidade = 96,4% e Kappa = 0,71), discriminando os padrões de fibrose periportal leve (padrão C) e avançados (padrões E/F) da doença. Este modelo demonstrou aplicabilidade clínica complementar ao Coutinho-index, reforçando o potencial dos biomarcadores séricos na estratificação da FPP.
Os dois estudos convergem na proposta de explorar abordagens bioquímico-computacionais
para o diagnóstico e monitoramento da fibrose hepática pela esquistossomose mansônica,
contribuindo para a construção de ferramentas mais acessíveis, objetivas e de maior acurácia
em cenários clínicos e epidemiológicos.