Aspectos epidemiológicos, diversidade genética e diagnóstico laboratorial de micobactérias não tuberculosas de amostras clínicas isoladas em Pernambuco
Micobactérias não tuberculosas, Epidemiologia, Diagnóstico microbiológico
As micobactérias não tuberculosas (MNT) constituem um grupo diverso de espécies do gênero
Mycobacterium que não pertencem ao complexo Mycobacterium tuberculosis (MTBC) e não são agentes
etiológicos da hanseníase. Atualmente, já foram identificadas mais de 190 espécies de MNT, com novas espécies sendo frequentemente descobertas graças ao avanço da genômica e da taxonomia baseada em sequenciamento de genes como o 16S rRNA, rpoB e hsp65. Essas micobactérias são classificadas principalmente em dois grandes grupos de acordo com sua velocidade de crescimento in vitro: de crescimento rápido (formam colônias em até sete dias) e de crescimento lento (mais de sete dias), conforme o sistema de Runyon. Nas últimas décadas, as MNT têm assumido crescente relevância clínica e epidemiológica, tanto no cenário nacional quanto internacional em virtude da sua sobreposição de manifestações clínicas e laboratoriais com as infecções causadas pelos agentes etiológicos da M. tuberculosis. Essa situação é agravada pela escassez de dados epidemiológicos regionais e pelas limitações diagnósticas no Brasil e em particular o estado de Pernambuco, o que dificulta a identificação precisa das espécies envolvidas. Diante desse contexto, o presente estudo, de caráter prospectivo será conduzido no Laboratório de Saúde Pública de Pernambuco - LACEN/PE em colaboração com Instituto Aggeu Magalhães (IAM/FIOCRUZ/PE). Serão analisadas amostras clínicas pulmonar e extrapulmonar coletadas entre os anos de 2025 e 2027, visando a identificação das espécies pela técnica de MALDI-TOF-MS e caracterização genômica completo (WGS). Espera-se que os resultados deste trabalho contribua para o aprimoramento do conhecimento sobre a diversidade de MNT associada as doenças humanas em Pernambuco, fortalecendo a acurácia diagnóstica e subsidiando condutas clínicas e terapêuticas mais eficientes. Ademais, tais evidencias geradas poderão embasar a formulação ou reestruturação de políticas públicas voltadas à vigilância, assistência e prevenção das infecções por micobactérias não tuberculosas no âmbito estadual.