ASSOCIAÇÕES ENTRE FATORES PERINATAIS, NEONATAIS, E DO INÍCIO DA VIDA E INDICADORES DE TRANSTORNOS ALIMENTARES EM NUTRICIONISTAS: uma abordagem baseada na teoria DOHaD
transtornos alimentares; insatisfação corporal; fatores perinatais;
aleitamento materno; nutricionistas.
Os transtornos alimentares (TA) constituem psicopatologias de etiologia multifatorial,
envolvendo processos psicológicos de regulação emocional e imagem corporal, que
podem ser influenciados por exposições no início da vida. O objetivo deste estudo foi
investigar as associações entre fatores perinatais, neonatais e do início da vida e
indicadores psicológicos relacionados aos transtornos alimentares em nutricionistas.
Trata-se de um estudo observacional, transversal e analítico, realizado com 113
nutricionistas residentes no estado de Pernambuco, com idade média de 34,4 anos,
sendo 85,8% do sexo feminino. Foram utilizados o Eating Attitudes Test (EAT-26), o
Body Shape Questionnaire (BSQ), o Binge Eating Scale (BES) e um questionário de
histórico perinatal e do início da vida. As associações foram analisadas por meio de
correlação de Spearman, adotando-se nível de significância de 5%. Observou-se
prevalência de 38,1% de risco para transtornos alimentares, 58,4% de algum nível de
insatisfação corporal e 27,4% de compulsão alimentar moderada ou grave. Houve
correlação positiva entre idade gestacional e escore do EAT-26, bem como correlação
negativa entre histórico de abandono/negligência e EAT-26. Quanto à insatisfação
corporal, observou-se correlação negativa de pequeno efeito entre ausência de
aleitamento materno e escores do BSQ. O desmame precoce apresentou associação
caracterizada como tendência estatística com a insatisfação corporal. Não foram
observadas associações estatisticamente significativas entre a compulsão alimentar
e fatores perinatais, neonatais e pós-natais até os seis meses de vida. Conclui-se que
fatores perinatais e do início da vida, especialmente idade gestacional e aleitamento
materno, podem estar associados a dimensões específicas da vulnerabilidade aos
transtornos alimentares, reforçando a perspectiva da teoria DOHaD.