MEDIDAS DE ENFRENTAMENTO ADOTADAS PELAS FAMILIAS NA COVID-19: REPERCUSSÕES NO NEURODESENVOLVIMENTO INFANTIL
Desenvolvimento infantil; COVID-19; Cognição; Linguagem; Exposição a telas.
A pandemia da COVID-19 gerou mudanças no contexto socioeconômico,
educacional, e domiciliar que podem ter influenciado o neurodesenvolvimento. O
objetivo desta pesquisa foi analisar a relação entre medidas de enfrentamento
adotadas por famílias durante a pandemia da COVID-19 e o neurodesenvolvimento
infantil. Trata-se de um estudo observacional, transversal, de caráter descritivo-
analítico, conduzido conforme as recomendações do STROBE. A amostra foi
composta por 104 crianças com idade entre 24 e 42 meses. O
neurodesenvolvimento foi mensurado por meio das Bayley Scales of Infant and
Toddler Development – Third Edition (Bayley-III), contemplando os domínios
cognitivo, de linguagem (receptiva e expressiva), motor, socioemocional e
comportamento adaptativo. Os dados sociodemográficos e estratégias de
enfrentamento durante a pandemia foram obtidos por questionário semiestruturado.
A normalidade dos dados foi verificada pelo teste de Shapiro-Wilk, e as
comparações foram realizadas pelos testes de Kruskal-Wallis e Mann-Whitney,
adotando-se p< 0,05. O uso de telas foi relatado por 97,1% das famílias e associou-
se à piores escores em comunicação receptiva (p = 0,001) e comunicação
expressiva (p = 0,009). Dentre as estratégias de entretenimento, brincadeiras de
imaginação, leitura e atividades de motricidade fina como pintura e colagem se
relacionaram à melhores resultados nas escalas de cognição, linguagem e
comportamento adaptativo. A Meditação relacionou-se a melhores resultados em
linguagem (p<0,001) e cognição (p< 0,001), comunicação (p=0,009) e social
(p=0,008). As crianças da rede privada obtiveram um desempenho
significativamente melhor na motricidade grossa, linguagem e cognição, bem como
na comunicação, vida em comunidade e motor do comportamento adaptativo, em
comparação com a rede pública. O retorno escolar relacionou-se a melhor
desempenho em linguagem, cognição e comunicação. Conclusão: Estratégias
familiares que favoreceram interação ativa, estimulação cognitiva e autorregulação
associaram-se a melhores desfechos no neurodesenvolvimento, enquanto maior
exposição às telas esteve relacionada a piores resultados de linguagem.