AVALIAÇÃO DOS DIAGNÓSTICOS, CARACTERÍSTICAS DEMOGRÁFICAS E SATISFAÇÃO COM O TRATAMENTO DOS PACIENTES ATENDIDOS COM CEFALEIA EM UMA EMERGÊNCIA
cefaleia; características da população; transtornos de cefaleia primária.
A cefaleia é a dor de cabeça mais comum e frequente na população em geral, cuja
prevalência ao longo da vida é elevada entre homens e mulheres, representando um
grande problema de saúde pública e componente comprometedor da qualidade de
vida do indivíduo. Alguns pacientes, por conta da intensidade da dor, retornam com
frequência à emergência para tratamento. Tendo em vista a alta incidência de
atendimentos a pacientes com cefaleia na emergência, o presente estudo tem o
objetivo de avaliar os diagnósticos, características demográficas e satisfação com o
tratamento de pacientes atendidos com cefaleia em uma emergência. Trata-se de um
estudo transversal, realizado na emergência de um hospital privado do Recife,
Pernambuco. O estudo compreende pacientes atendidos no período de novembro de
2023 a dezembro de 2024 com Classificação Internacional de Doença para cefaleia.
A amostra final será composta por 233 pacientes. Para o recrutamento dos dados é
utilizado um questionário semiestruturado formulado pelos pesquisadores, onde as
variáveis classificatórias serão apresentadas de forma descritiva em tabelas de
contingência contendo frequências absolutas (n) e relativas (%). No presente estudo
foram entrevistados 142 pacientes na emergência de um hospital particular do
Recife,com diagnósticos de cefaleia e suas derivações, no período de novembro de
2023 a maio de 2024. Dentre os 142 pacientes entrevistados, 123/142 foram
classificados com diagnóstico de cefaleia, 8/142 com enxaqueca sem aura. No perfil
demográfico o mais prevalente foi o sexo feminino (111/142), sendo a média de idade
dos participantes de 37 anos. No que diz respeito à renda familiar, 91/142 tinham
renda mensal entre 1 e 7 salários mínimos, em relação à escolaridade 56/142 tinhm
ensino médio completo, horas trabalhadas semanais a maioria 61/142 trabalham entre
21 - 40 horas. Entre os medicamentos mais utilizados pelos pacientes em suas
residências antes de procurar à emergência estão analgésicos 53/142) e anti-
inflamatórios (11/142). As medicações mais utilizadas na emergência compreenderam
anti-inflamatório como o cetoprofeno (94/142), analgésicos como a dipirona (65/142),
corticoides, como a dexametasona (60/142), antieméticos, como o dimenidrinato
(28/142), além de opioides e antipsicóticos (9/142). A maioria dos pacientes não fazem
acompanhamento ambulatorial (125/142) e apenas 15/142 são acompanhados com
neurologista. No que diz respeito aos exames realizados na emergência, 57 pacientes
realizaram algum tipo de exame de imagem. No total, 63 exames foram realizados,
destacando-se a tomografia computadorizada de crânio, prescrita 53/63 (84%) vezes.
Em relação à intensidade da dor que o paciente chegou e saiu da emergência após
receber tratamento medicamentoso 28/142 (19,7%) relatou dor forte, 65/142 (45,7%)
dor muito forte e 33/142 (23,2%) dor máxima ao chegar à emergência. Foi observada
uma redução da dor superior a 50% em todos os pacientes que se apresentaram com
dor forte e muito forte. No entanto, para aqueles cuja dor foi avaliada como máxima,
com intensidade de 10, a redução não atingiu 50%. A partir dos resultados parciais,
pode-se inferir que a cefaleia na emergência requer uma abordagem personalizada,
considerando aspectos demográficos e clínicos para melhorar a qualidade dos
atendimentos e a satisfação do paciente.