SÍNDROME DO TÚNEL DO CARPO E AMILOIDOSE: AVALIAÇÃO ULTRASSONOGRÁFICA DE ALTA RESOLUÇÃO COMO FERRAMENTA DIAGNÓSTICA PRECOCE
Amiloidose. Síndrome do Túnel do Carpo. Tecidos moles.
A síndrome do túnel do carpo (STC) pode estar associada à deposição e ao acúmulo de proteínas amiloides, configurando-se, em muitos casos, como uma manifestação inicial da amiloidose sistêmica. Estudos recentes demonstram que uma parcela significativa de pacientes submetidos à cirurgia para STC considerada idiopática apresenta evidências histológicas de amiloidose, especialmente homens com mais de 50 anos e mulheres com mais de 60 anos, sendo comum a presença de sintomas bilaterais nesses indivíduos. Esses achados despertaram um interesse renovado na investigação da amiloidose como possível etiologia subjacente da STC. As duas formas mais prevalentes de amiloidose sistêmica — a amiloidose por cadeia leve de imunoglobulina (AL) e a amiloidose por transtirretina (ATTR) — acometem múltiplos órgãos, incluindo coração, nervos periféricos e tecidos moles. O envolvimento cardíaco, em particular, está associado a pior prognóstico, sobretudo quando o diagnóstico e o tratamento são tardios. Observa-se que muitos pacientes desenvolvem manifestações cardíacas anos após terem sido submetidos à cirurgia de liberação do túnel do carpo, o que reforça a importância do reconhecimento precoce da doença. Diante desse cenário, o diagnóstico precoce da amiloidose torna-se essencial para melhorar o desfecho clínico dos pacientes. Este artigo propõe uma revisão da relação entre a amiloidose e a síndrome do túnel do carpo, além de apresentar um algoritmo diagnóstico voltado à identificação da amiloidose em pacientes candidatos à cirurgia de liberação do túnel do carpo. A aplicação desse algoritmo simples e sistematizado pode facilitar a detecção precoce de um grupo de doenças progressivas e potencialmente fatais, permitindo intervenções terapêuticas mais eficazes.
Palavras-chave do Resumo (3 palavras): Amiloidose. Síndrome do Túnel do Carpo. Tecidos moles.