Expressão sérica, urinária e tecidual das galectinas 1, 7 e 9 em pacientes com carcinoma urotelial de bexiga
Neoplasias da bexiga urinária, biomarcadores, galectinas.
Introdução: O câncer de bexiga é uma neoplasia prevalente, marcada por elevada taxa de recorrência e necessidade de seguimento invasivo. O desenvolvimento de biomarcadores séricos, urinários e teciduais pode incrementar o conhecimento sobre essa doença e aprimorar a avaliação prognóstica. As galectinas (Gal) — especialmente Gal-1, Gal-7 e Gal-9 — participam de vias relacionadas à adesão celular, remodelamento tecidual, inflamação e evasão imunológica, configurando potenciais biomarcadores no carcinoma urotelial. Objetivo: Avaliar a expressão sérica, urinária e tecidual das Gal-1, -7 e -9 em pacientes com carcinoma urotelial de bexiga (CUB), comparando-as com controles saudáveis, e investigar associações com achados histopatológicos, incluindo grau tumoral e estadiamento patológico. Métodos: Estudo transversal multicêntrico no qual 273 indivíduos foram inicialmente triados. No grupo A (CUB), 213 pacientes foram avaliados, dos quais 66 preencheram os critérios de inclusão; após exclusões por recidiva, comorbidades, recusas e falhas logísticas, além de 19 perdas por inviabilidade amostral, 47 pacientes foram efetivamente analisados. No grupo B (controle), 60 voluntários foram triados, com exclusão inicial de seis indivíduos e cinco perdas técnicas, resultando em 49 controles saudáveis incluídos. As amostras séricas e urinárias foram analisadas por ELISA e tecidos tumorais foram avaliados por imuno-histoquímica (IHQ). Resultados: Não houve diferença nos níveis séricos ou urinários de Gal-1, Gal-7 ou Gal-9 entre casos e controles (p>0,05). Na análise intragrupo, observou-se elevação significativa dos níveis urinários de Gal-1 em tumores músculo-invasivos (≥T2) em comparação com tumores Ta/T1 (p=0,039). Na avaliação tecidual, 40 amostras foram analisadas. Gal-1 mostrou associação significativa entre expressão tumoral positiva e tumores ≥T2 (86% vs. 30%, p=0,01). A expressão estromal esteve presente na maioria dos casos, sem discriminação por pTNM ou grau. A IHQ para Gal-9 foi tecnicamente adequada, porém todas as amostras foram negativas. Não houve material avaliável para Gal-7 por dificuldades técnicas no processamento. Conclusão: A Gal-1 apresentou níveis urinários mais elevados e maior expressão tecidual em tumores músculo-invasivos. A Gal-9 não exibiu expressão imunohistoquímica, possivelmente refletindo particularidades biológicas da amostra ou associação com fenótipos mais agressivos. Nenhuma das galectinas diferenciou pacientes de indivíduos saudáveis nas análises séricas ou urinárias.