Relação Triglicérides/HDL como marcador hepatometabólico na doença hepática esteatótica associada a disfunção metabólica (MASLD) em pacientes obesos: um estudo transversal
Palavras-chave: esteatosehepatica/ obesidade/ sindromemetabólica/ rastreamento/ cirurgiabariatrica
Contexto: A obesidade é uma doença crônica, multifatorial, dentre suas complicações metabólicas está a doença hepática esteatótica associada a disfunção metabólica (MASLD) que tem alta prevalência na população mundial. Na maioria dos casos de MASLD a clínica é assintomática, mas pode progredir para cirrose e hepatocarcinoma. A fisiopatologia está associada a resistência à insulina e/ou inflamação que resulta em taxas aumentadas de lipólise e aumento da entrega de ácidos graxos ao fígado, o que promove o aumento da esterificação de ácidos graxos em triglicerídeos hepáticos. Objetivo: Avaliar o uso da relação TG/HDL na identificação da MASLD. Metodologia: Estudo transversal que analisou dados retrospectivos de prontuários de pacientes submetidos à cirurgia bariátrica entre 2020 e 2024. Foram incluídos adultos com exames sanguíneos (TGO, TGP, plaquetas, perfil lipídico, perfil glicêmico, ferritina e vitamina D), ultrassonografia abdominal e elastografia hepática no pré-operatório. A análise estatística empregou PCA, testes de Kruskal-Wallis e qui-quadrado. Resultados: A amostra foi composta por 99 participantes, 64,2% do sexo feminino, com idade média de 36,92 anos, IMC médio de 41,03 kg/m², relação TG/HDL média de 3,34, sedentarismo em 90,9%, diabetes em 19,2% e hipertensão em 42,4%. A elastografia identificou fibrose em 34,7% dos indivíduos, enquanto o FIB-4 foi <1,3 em 93,7%. A relação TG/HDL >3,0 esteve associada a 83,3% dos casos de esteatose moderada/acentuada, e 93,3% dos indivíduos com fibrose hepática pela elastografia apresentavam TG/HDL elevado. Conclusão: O presente estudo demonstrou que a razão TG/HDL mostrou desempenho consistente como marcador hepatometabólico e apresenta utilidade na identificação de risco da MASLD, evidenciando associação progressiva tanto com a gravidade da esteatose hepática visualizada pelo ultrassom quanto com a presença de fibrose hepática pela elastografia.
Palavras-chave: esteatosehepatica/ obesidade/ sindromemetabólica/ rastreamento/ cirurgiabariatrica