EXPERIÊNCIA DO TRATAMENTO NÃO OPERATÓRIO DE LESÕES EM ÓRGÃOS MACIÇOS POR TRAUMA ABDOMINAL FECHADO NO HOSPITAL DA RESTAURAÇÃO
Trauma abdominal. Tratamento não operatório. Vísceras maciças
Introdução: O trauma é um dos principais problemas de saúde pública, sendo o trauma abdominal fechado uma causa relevante de lesões em vísceras maciças (fígado, baço e rins). O tratamento não operatório (TNO) tornou-se a abordagem preferencial em pacientes hemodinamicamente estáveis, reduzindo tempo de internamento, infecções abdominais e necessidade de hemotransfusão, sem alterar a mortalidade quando comparado ao tratamento cirúrgico. Objetivo: Avaliar a segurança e eficácia do TNO no manejo de lesões em órgãos maciços por trauma abdominal fechado, descrevendo o perfil epidemiológico dos pacientes e os fatores associados ao desfecho. Métodos: Estudo descritivo, observacional e retrospectivo, com dados coletados de prontuários eletrônicos de pacientes vítimas de trauma abdominal fechado atendidos no Hospital da Restauração (Recife-PE) entre janeiro de 2022 e dezembro de 2024. Foram incluídos pacientes com lesões em órgãos maciços diagnosticadas por tomografia computadorizada, não abordados cirurgicamente nas primeiras 6 horas de internamento. As lesões foram classificadas segundo os critérios da American Association for the Surgery of Trauma (AAST). Resultados: Foram incluídos 89 pacientes, com predomínio do sexo masculino (80,9%) e idade média de 37,8 anos; acidentes com motocicletas foram o mecanismo mais frequente (58,4%). Os rins foram os órgãos mais acometidos (44,9%), seguidos por fígado (36%) e baço (19,1%). A taxa de sucesso do TNO foi de 86,51% (77/89). Houve associação estatisticamente significativa entre sucesso do TNO e sexo masculino (p=0,048), ausência de hemotransfusão (p<0,001), ausência de trauma esplênico (p=0,009) e presença de trauma renal (p=0,034). Não houve associação estatisticamente significativa com grau da lesão, idade ou realização de exame de imagem de controle. Conclusão: O tratamento não operatório mostrou-se seguro e eficaz no manejo de lesões traumáticas em órgãos maciços por trauma abdominal fechado, com alta taxa de sucesso e mortalidade nula, inclusive em pacientes acompanhados fora de unidade de terapia intensiva.
Palavras-chave do trabalho (3 palavras-chave): Trauma abdominal. Tratamento não operatório. Vísceras maciças