Análise da eosinofilia tecidual do pólipo nasal após ciclo curto de corticosteroide oral em pacientes com Rinossinusite crônica com polipose.
Palavras-chave do trabalho: Rinossinusite Crônica. Pólipos Nasais. Eosinofilia. Corticosteróides. Medicina de Precisão.
Introdução: A compreensão fisiopatológica da Rinossinusite Crônica com Pólipos Nasais (RSCcPN) transitou do paradigma fenotípico para a endotipagem molecular, categorizando-se nos perfis inflamatórios Tipo 2 e Não-Tipo 2. Na inflamação Tipo 2, o eosinófilo tecidual consolida-se como o biomarcador central para definição de prognóstico. No manejo pré-operatório, a administração de corticosteroides sistêmicos, como a prednisolona, atua no remodelamento da mucosa e promove a depleção celular mediante a indução da apoptose de eosinófilos. Tal ciclo medicamentoso introduz um viés histológico, visto que a corticoterapia promove o mascaramento da celularidade basal do pólipo. A quantificação subestimada do infiltrado gera diagnósticos falso-negativos para a inflamação Tipo 2, inviabilizando a estratificação imunológica correta e prejudicando a adoção de protocolos da Medicina de Precisão. Objetivo: Analisar a variação da eosinofilia tecidual no pólipo nasal, antes e após a administração de um ciclo curto de corticoterapia sistêmica. Metodologia: Conduziu-se um ensaio clínico de fase 1/2, prospectivo, no Hospital das Clínicas da UFPE. A intervenção consistiu na administração de prednisolona (40 mg/dia por 7 dias). A avaliação clínica e laboratorial incluiu a Escala Visual Analógica (EVA) para mensuração da intensidade subjetiva dos sintomas, o Questionário de Desfechos Nasossinusais (SNOT-22), o estadiamento endoscópico de Lund-Kennedy e a olfatometria digital pelo sistema MultiScent 20 Health. Realizaram-se coletas de sangue periférico para determinação da eosinofilia sérica e dos níveis de Imunoglobulina E (IgE) total. O protocolo de biópsia determinou a coleta de fragmentos na zona central e profunda do tecido polipóide. O processamento histológico compreendeu a fixação em formalina tamponada a 10%, coloração por Hematoxilina e Eosina (HE) e análise microscópica por patologista cego. A celularidade foi quantificada por campo de grande aumento (CGA), com foco em áreas de maior densidade inflamatória (hot spots). Resultados: Observou-se a redução da mediana da eosinofilia tecidual de 80,00 para 35,00 (p = 0,003) e da eosinofilia sérica de 421,00 para 24,00 (p < 0,001). Constatou-se melhora estatisticamente significativa nos escores de EVA para obstrução nasal, olfato e rinorreia (p < 0,001). Evidenciou-se a redução do percentual de pacientes com SNOT-22 ≥ 35 de 86,7% para 40%. Perspectivas: A elucidação da magnitude deste viés histológico fornece embasamento científico para a correção dos parâmetros de endotipagem da RSCcPN. A documentação da celularidade real é fundamental para a correta indicação de terapias com imunobiológicos e para a personalização do manejo cirúrgico.
Palavras-chave do trabalho: Rinossinusite Crônica. Pólipos Nasais. Eosinofilia. Corticosteróides. Medicina de Precisão.