Banca de DEFESA: JOSÉ MATHEUS LIRA DA SILVA

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: JOSÉ MATHEUS LIRA DA SILVA
DATA : 27/04/2026
HORA: 08:30
LOCAL: Virtual
TÍTULO:

RACIALIDADE, INSTITUCIONALIDADE E (AUTO)GOVERNO NA EXPERIÊNCIA DE MIGRANTES PEC-G: estabelecimento de uma rede heterárquica de dispositivos de poder mediada pelo racismo institucional na Universidade Federal de Pernambuco


PALAVRAS-CHAVES:

matriz colonial do poder; dispositivos de poder; racismo institucional; teoria heterárquica do poder; estudantes migrantes; PEC-G.


PÁGINAS: 324
RESUMO:

A internacionalização das universidades federais brasileiras tem fomentado uma forte mobilidade estudantil no país, notadamente aquela vinculada a programas de cooperação acadêmica entre países do Sul Global. Nesse cenário, tomando como lócus empírico a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), observamos a intensificação da presença de estudantes oriundos de países africanos nas universidades federais, especialmente por meio do Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G). Inseridos em um sistema educacional historicamente marcado por desigualdades raciais, esses sujeitos vivenciam na universidade dinâmicas institucionais e sociais, mediadas pelo racismo institucional, que tensionam seus processos de integração acadêmica e social, evidenciando a existência de dispositivos de poder que operam na produção e na regulação do acolhimento, do pertencimento e de tensões identitárias. Essas dinâmicas estão circunscritas nas lógicas da Matriz Colonial do Poder, na medida em que hierarquias raciais, epistêmicas e sociais são produzidas, sustentando práticas institucionais contemporâneas e atualizando formas de subalternização herdadas do colonialismo. Diante disso, esta tese busca responder à seguinte questão de pesquisa: “como as relações de poder são operadas como forma de racismo institucional, impactando nas experiências acadêmicas de estudantes migrantes vinculados ao PEC-G na universidade federal brasileira?”. Metodologicamente, esta pesquisa se fundamenta em uma abordagem arqueogenealógica, ancorada no pensamento de Michel Foucault e na sua articulação à perspectiva decolonial por meio da Teoria Heterárquica do Poder, permitindo apreender as relações de poder em suas dimensões históricas e relacionais. Ademais, a análise evidencia que as experiências dos estudantes migrantes são produzidas e tensionadas mediante a articulação de três dispositivos de poder – dispositivo de racialidade, institucional e de (auto)governo – que operam de modo interdependente em distintos níveis do exercício de poder: macrofísico, mesofísico e microfísico. Assim, os resultados sustentam que o dispositivo de racialidade sustenta as classificações de cunho racial no nível estrutural; o dispositivo institucional as operacionaliza através de práticas normativas e administrativas via racismo institucional; e o dispositivo de (auto)governo explicita as estratégias de resistência e agência que são mobilizadas pelos estudantes migrantes. Tais dispositivos se organizam em uma rede heterárquica de poder que se caracteriza por seu teor capilar e multidirecional, sendo perpassada pela colonialidade enquanto elemento que permeia simultaneamente todos os níveis, impactando em estruturas sociais, práticas institucionais e práticas de resistência. Concluímos com o entendimento de que o racismo institucional não se configura como um fenômeno isolado ou localizado, mas sim como um efeito relacional produzido pela articulação entre distintos níveis e dispositivos de poder, o que permite sustentar uma proposição analítica fundamentada em uma rede heterárquica de exercício de poder como meio para compreender as dinâmicas de poder que operam no espaço universitário. Não obstante, ainda que empiricamente ancorada na UFPE, essa proposição analítica apresenta potencial de extrapolação para outras universidades brasileiras, contribuindo para a problematização de dinâmicas coloniais que perpassam essas instituições e para a formulação de políticas institucionais mais equitativas, afirmativas e sensíveis à diversidade de sujeitos e experiências.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1667829 - ANDRE LUIZ MARANHAO DE SOUZA LEAO
Externo à Instituição - BRUNO MELO MOURA
Interno - ***.684.994-** - DIOGO HENRIQUE HELAL - FBV
Externa à Instituição - JOSIANE SILVA DE OLIVEIRA
Externo ao Programa - 1133972 - SERGIO CARVALHO BENICIO DE MELLO - null
Notícia cadastrada em: 15/04/2026 15:07
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