Caracterização química e avaliação biológica do extrato da madeira de Hymenaea cangaceira (Jatobá-do-cangaço) frente a organismos xilófagos e larvas de Aedes aegypti
Atividade antifúngica, biodeterioração, flavonoides, inseticida
Hymenaea cangaceira (Pinto, Mansano & Azevedo) é uma espécie endêmica do Brasil, utilizada na medicina popular, porém ainda pouco estudada quanto à composição química e ao potencial bioativo de sua madeira. Considerando a suscetibilidade de muitas madeiras ao ataque de fungos e cupins e a necessidade de estratégias seguras para o controle de vetores como Aedes aegypti, este trabalho teve como objetivo determinar o perfil fitoquímico da madeira de H. cangaceira e avaliar suas atividades antifúngica, antioxidante, antitermítica e larvicida. O material vegetal foi coletado no Parque Nacional do Catimbau, extraído por maceração em etanol e particionado em hexano, clorofórmio e acetato de etila. O extrato etanólico foi analisado quanto aos teores de fenóis totais, flavonoides e taninos e caracterizado por Cromatografia Líquida de Alta Eficiência acoplada à Espectrometria de Massas de Alta Resolução (CLAE-EMAR). Foram avaliadas as atividades antioxidante (DPPH• e ABTS•⁺), antifúngica frente a Phanerochaete chrysosporium, antitermítica por ensaio no-choice com Nasutitermes corniger e larvicida contra Aedes aegypti. Os testes fitoquímicos qualitativos do extrato etanólico revelaram terpenos, esteroides, flavonoides e taninos, com teores de 189,82 ± 1,50 mg EAT/g de fenóis totais, 50,88 ± 1,14 mg EAT/g de taninos e 129,14 ± 2,50 mg ER/g de flavonoides. A análise por CLAE-EMAR identificou 21 compostos, incluindo 20 flavonoides e 1 cromona. O extrato apresentou atividade antioxidante, inibindo 44,32% do DPPH• e 49,76% do ABTS•+, além de inibir 88,63% do crescimento de P. chrysosporium na concentração de 10 mg.mL⁻¹. O extrato também foi eficaz contra N. corniger, com maior mortalidade na concentração de 100 mg.mL⁻¹. O extrato também demonstrou atividade larvicida contra A. aegypti, com mortalidade variando de 75% a 100% nas concentrações testadas (700–1000µg·mL⁻¹). Este estudo apresenta o primeiro relato sobre a composição química da madeira de H. cangaceira e evidencia o expressivo potencial biológico de seu extrato, rico em flavonoides, com atividades antifúngica, antitermítica e larvicida relevantes. Esses achados consolidam H. cangaceira como uma promissora fonte de agentes naturais para preservação da madeira e para o desenvolvimento de estratégias sustentáveis de controle de fungos, cupins e vetores de importância sanitária.