Caracterização química e avaliação biológica do extrato da madeira de Hymenaea cangaceira (Jatobá-do-cangaço) frente a organismos xilófagos e larvas de Aedes aegypti
Biodeterioração, flavonoides, resistência natural
Hymenaea cangaceira (jatobá-do-cangaço), nativa do Brasil, é usada na medicina popular
para tratar diversas doenças (diarreia, tosse, cólicas intestinais, asma, anemia, inflamação na
garganta, cistites, bronquites, artrites e outras doenças inflamatórias). Porém, há poucos dados
sobre a composição química e as atividades biológicas de substâncias da madeira. Esse
material, muito usado em indústrias, é vulnerável a fungos e cupins, causando grandes perdas
econômicas e ambientais. Extrativos vegetais têm sido estudados como alternativa sustentável
(ODS 2030, nos itens 3 e 9). As madeiras do gênero Hymenaea se destacam por sua
resistência natural, sendo crucial identificar os metabólitos responsáveis por essa propriedade.
Portanto, este estudo visa caracterizar os metabólitos secundários da madeira de Hymenaea
cangaceira e avaliar suas atividades antifúngica, antitermítica, antioxidante e larvicida,
auxiliando no desenvolvimento de soluções ecológicas e inovadoras. Os testes fitoquímicos
qualitativos do extrato etanólico da madeira de Hymenaea cangaceira revelaram a presença
de terpenos, esteroides, flavonoides e taninos, com teores quantificados em 189,82 ± 1,50 mg
EAT/g de fenólicos totais, 50,88 ± 1,14 mg EAT/g de taninos e 129,14 ± 2,50 mg ER/g de
flavonoides. A análise por HPLC-HRMS identificou 20 compostos, incluindo 19 flavonoides
e 1 cromona. O extrato apresentou atividade antioxidante, inibindo 44,32% do radical DPPH •
e 49,76% do ABTS •+ , além de demonstrar significativa ação antifúngica contra Phanerochaete
chrysosporium, com inibição de 88,63% a 10 mg/mL. Os resultados demonstram que a
madeira de Hymenaea cangaceira possui uma composição química rica em metabólitos
secundários, especialmente flavonoides, os quais estão associados às suas atividades
biológicas promissoras. Esses resultados evidenciam seu potencial para o desenvolvimento de
bioprodutos sustentáveis, oferecendo alternativas ecológicas para a proteção de madeiras
contra deterioração e contribuindo para a valorização de espécies nativas brasileiras.