OS SABERES CONSTITUÍDOS NOS MULTIANOS A PARTIR DO TERRITÓRIO E A EMERGÊNCIA DOS SENTIDOS NA AUTORIA: CAMINHOS PARA A CONSTRUÇÃO DE UMA BASE EPISTEMOLÓGICA DA DOCÊNCIA NA EDUCAÇÃO DO CAMPO
[Não tem]
O presente estudo situa-se nas discussões acerca da Educação do Campo, das Águas e das
Florestas e versa sobre os Multianos como organização específica e legítima desse
contexto. Articulamos nossas discussões aos saberes territoriais a autoria docente, com
dimensões que contribuem para a constituição epistemológica da docência nos multianos.
Tomamos como objeto de pesquisa “Da articulação dos saberes advindos do território a
produção de sentidos na autoria nos multianos: caminhos para a construção da base
epistemológica da docência na Educação do Campo”, tendo como problema de pesquisa:
Como os saberes territoriais constituídos nos multianos e articulados a autoria ganham
sentidos na construção epistemológica da docência na Educação do Campo?
Constituímos enquanto objetivo geral: Compreender como os saberes territoriais
constituídos nos multianos e articulados a autoria ganham sentido na construção
epistemológica da docência na Educação do Campo. Como objetivos específicos,
destacamos: I- Identificar que saberes territoriais ganham sentidos na constituição da
docência nos multianos; II- Analisar como os saberes territoriais constituídos nos
multianos fomentam a autoria docente; e III- Constituir a partir dos saberes territoriais e
da autoria os marcadores epistemológicos que fundamentam a docência e sua constituição
nos multianos da Educação do Campo. Parte-se do pressuposto de que a escola multietária
(multisseriada) do campo, historicamente marginalizada pela lógica seriada e
homogeneizadora da organização escolar, constitui-se como espaço de resistência e
produção de uma epistemologia própria. Nela, os conhecimentos emergem da articulação
entre saberes territoriais, culturais e a práxis docente, possibilitando ao professor construir
respostas pedagógicas autorais, contextualizadas e comprometidas com a realidade dos
sujeitos do campo. Fundamentamos nossas discussões na Perspectiva Crítica, tratando
das categorias Leitura de mundo em Freire (1989), Território Camponês com Fernandes
(2012), Práxis em Freire(2019) e Saviani (2011) dentre outros; Multianos(Multissérie)
em Hage (2014), Contra-hegemonia em Williams (2005) e para discutir a autoria na
perspectiva da construção de uma base epistemológica fundamentamos em Silva (2019),
Franco (2016), Freire (2005) dentre outros. Nosso percurso teórico-metodológico está
firmado na Perspectiva Crítica, numa abordagem predominantemente qualitativa,
conforme Minayo (1994). A produção de dados contempla a análise documental dos
Projetos/relatórios de Letramento e Alfabetização desenvolvido no contexto formativo da
Escola da Terra nos municípios de Riacho das Almas e São Caetano, ambos no agreste
Pernambucano (Cellard, 2008) e Grupo de Discussão a partir de Weller (2010). A partir
do levantamento realizado e com base na constituição de critérios selecionamos uma
representação de quatro(4) participantes. O tratamento dos dados está pautada na Análise
de Conteúdo conforme Moraes (1999), em que a interpretação se dá por meio da análise
temática e dos significados que emergem.