VULNERABILIDADES À FLOR DA PELE: UM ESTUDO SOBRE AS DISPUTAS IDENTITÁRIAS NO ENSINO SUPERIOR
Ensino Superior; Universidade; Identitarismo; Identidade; Vulnerabilidade.
As disputas em torno das identidades precarizadas constituem um fenômeno cada vez mais
presente no debate público e nas pesquisas acadêmicas no Brasil, inclusive em suas relações
com o ensino superior, espaço historicamente restrito às populações economicamente
favorecidas. Embora a ampliação do acesso às universidades públicas tenha contribuído para
diversificar o perfil discente, esse processo não eliminou as tensões identitárias que atravessam
a experiência acadêmica. A partir da década de 2010, alguns excessos ligados às reivindicações
identitárias, significativamente influenciados pela lógica competitiva das redes sociais,
passaram a desestabilizar o debate público e acadêmico sobre as identidades. Nesse contexto,
o termo identitarismo emerge no cenário brasileiro como uma categoria em disputa, imprecisa
e cercada de polêmicas. A partir da literatura especializada, a presente pesquisa o concebe como
uma racionalidade neoliberal de gestão das identidades influenciada pela dinâmica
concorrencial das redes sociais. Partindo dessa definição, o estudo investiga suas manifestações
no ensino superior, tomando como problema central as possíveis transformações produzidas
por práticas discursivas identitaristas nos processos de produção e validação do conhecimento.
Parte-se da hipótese de que o identitarismo, ao converter experiências materiais de
vulnerabilização em fundamento privilegiado e essencializado de autoridade epistêmica,
instaura novos parâmetros normativos de legitimação que, ao subordinarem o critério
epistemológico ao campo da moralidade, podem não apenas desestabilizar a própria ideia de
universidade, mas também reconfigurar o percurso formativo no ensino superior como uma
experiência marcada por tensões e desgastes emocionais capazes de comprometer o exercício
da crítica, do diálogo e da produção do conhecimento. O objetivo da pesquisa é compreender
de que modo esse processo pode reconfigurar a experiência acadêmica e tensionar os
fundamentos da universidade como espaço de produção do conhecimento. A pesquisa adota
abordagem qualitativa, de caráter exploratório, e utiliza o Método do Caso Alargado, tomando
como recorte empírico a configuração do identitarismo em Programas de Pós-Graduação em
Humanidades de universidades públicas de Pernambuco. Participarão do estudo estudantes e
docentes de pós-graduação que tenham vivenciado ou presenciado situações compatíveis com
a definição adotada na pesquisa. A produção dos dados será realizada por meio de entrevistas
semiestruturadas, precedidas por questionário de triagem, e a análise será orientada pela Análise
do Discurso de inspiração foucaultiana.