ANÁLISE DA EXPRESSÃO DE PROTOMODELOS PARA O CONCEITO DE
DUALIDADE ONDA-PARTÍCULA DA LUZ POR LICENCIANDOS EM QUÍMICA
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Esta dissertação analisa como a atualização dos esquemas sobre a dualidade onda-
partícula da luz ocorre por meio da expressão dos protomodelos por licenciandos em
Química. O estudo reconhece que a aprendizagem dos conceitos da Mecânica
Quântica impõe desafios epistemológicos e pedagógicos à formação docente, dado o
caráter contraintuitivo do fenômeno. A fundamentação articula a Semiótica de Peirce
e a Teoria da Rememoração de Bartlett com a mediação da Psicologia Cultural,
abordagem que compreende a aprendizagem como um processo dinâmico de
reconstrução dos esquemas mediado por signos. A investigação caracteriza-se como
um estudo de caso múltiplo, qualitativo e interventivo, desenvolvido em uma oficina
formativa organizada em três encontros com dois licenciandos. As produções escritas,
gráficas e orais foram analisadas com o auxílio do Framework Analítico
Semiocognitivo, um instrumento original construído nesta pesquisa para integrar as
dimensões semiótica e mnemônica da aprendizagem. Os resultados mostram que os
participantes iniciam o percurso com esquemas compartimentalizados entre os
domínios ondulatório e corpuscular, ancorados em representações escolares
clássicas e em metáforas sensoriais. As evidências experimentais, a exemplo do efeito
fotoelétrico e da dupla fenda, geram uma tensão interpretativa que impulsiona novas
explicações. Observa-se um deslocamento dos signos mobilizados, os quais partem
de hipoícones metafóricos e avançam para diagramas e para formulações
argumentativas, com episódios de revisão metacognitiva. As trajetórias revelam
caminhos distintos de coordenação conceitual. Um trilhado por meio de metáforas
sucessivas, e o outro balizado pela adesão gradual ao discurso científico. Conclui-se
que a aprendizagem constitui um processo não linear de semiose e de rememoração,
no qual a externalização dos protomodelos opera como um mecanismo central de
reorganização cognitiva, e a metacognição funciona como um ponto de inflexão para
a estabilização de novos hábitos interpretativos.