TRABALHO DO CUIDADO E POLÍTICAS PÚBLICAS PARA MULHERES E CRIANÇAS: Desigualdades no trabalho não remunerado e efeitos da representação política feminina sobre a oferta municipal de creches
Economia do cuidado. Desigualdades de gênero. Mulheres na política
O trabalho do cuidado não remunerado recai majoritariamente sobre as mulheres, vindo de uma estrutura histórica em que estas se dedicavam ao trabalho familiar, hoje se transformando em barreiras no mercado de trabalho e aprofundamento das desigualdades socioeconômicas e de gênero. Nesse cenário, mulheres em cargos de liderança política demonstram mais atenção a grupos minoritários e políticas públicas direcionadas para eles. Diante desse contexto, pretende-se investigar como o trabalho do cuidado não remunerado estrutura desigualdades de gênero e em que medida a representação feminina política se converte em expansão de políticas públicas de cuidado infantil. O projeto será desenvolvido em dois artigos, no Artigo 1 pretende-se estimar modelos logísticos (simples e multinível) com microdados da PNAD Contínua anual (2016, 2019, 2022) para a probabilidade de o indivíduo (i) não estar no emprego formal por cuidar e (ii) apresentar sobrecarga de cuidado (≥ 30h semanais), incorporando preditores individuais e contextuais. No Artigo 2, pretende-se avaliar causalmente o impacto de prefeitas e da presença de vereadoras sobre a taxa de atendimento escolar de 0–3 anos por meio de um desenho de Diferenças-em-Diferenças em painel município–ano (2013–2020), com efeitos fixos. Espera-se quantificar condicionantes individuais e contextuais (municipais e estaduais) da sobrecarga e mensurar o efeito da liderança feminina na expansão de creches, oferecendo insumos para políticas públicas de cuidado e equidade de gênero