EDUCAÇÃO E “FORMAÇÃO HUMANA”: por uma ética na contemporaneidade a partir de uma relação entre a pedagogia agostiniana e a crítica de Zygmunt Bauman a chamada “modernidade líquida”.
Agostinho; Educação; Ensino de Filosofia; Formação ética; Zygmunt Bauman; “Modernidade líquida”.
Esta dissertação investiga a concepção de educação no pensamento de Santo Agostinho, analisando seus limites e possibilidades de contribuição para a formação ética na contemporaneidade. Parte-se do problema de como a pedagogia agostiniana, centrada na interioridade, na busca da verdade e no papel do Mestre interior, pode oferecer subsídios para uma práxis pedagógica voltada à formação integral do sujeito em um contexto marcado pela “modernidade líquida”, conforme Zygmunt Bauman. A pesquisa, de natureza qualitativa, articula revisão bibliográfica e intervenção pedagógica realizada com estudantes do Ensino Médio, por meio da produção de cartas filosóficas dirigidas a Zygmunt Bauman e a Santo Agostinho. A análise das cartas considerou a escrita dos estudantes como espaço de produção de sentidos, fusão de horizontes e diálogo com a tradição. Os resultados indicam que os alunos foram capazes de relacionar conceitos como “modernidade líquida”, fragilidade dos vínculos, caritas, cupiditas, interioridade, amor, morte e formação ética a dilemas vividos na contemporaneidade. Conclui-se que o pensamento agostiniano, embora situado em outro contexto histórico, permanece fecundo para o ensino de Filosofia, sobretudo por favorecer práticas pedagógicas voltadas ao autoconhecimento, à responsabilidade, ao cuidado com o outro e à formação humana integral.