Banca de DEFESA: THAYANE LUCIA FERNANDES DA SILVA

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: THAYANE LUCIA FERNANDES DA SILVA
DATA : 18/09/2026
HORA: 09:30
LOCAL: Remoto
TÍTULO:

Morrer para a Igreja, Renascer para Si, Habitar um Novo Corpo-Território:
Vidas negras em disputa e a recusa das condições de humanidade no Brasil.


PALAVRAS-CHAVES:

Cristianismo evangélico; Relações raciais; Dissidência religiosa; Dispositivo racial de salvação


PÁGINAS: 465
RESUMO:

Esta tese analisa como o cristianismo evangélico brasileiro constitui noções racializadas e condicionais de
humanidade, opera na gestão de vidas negras no Brasil, e como essa gestão é contestada, herdada e reelaborada
quando o sujeito rompe com a igreja que o formou. O problema se insere numa transformação recente do campo
religioso nacional: entre 2010 e 2022, o catolicismo perdeu participação relativa enquanto evangélicos e pessoas sem
religião cresceram, cenário que reabre a pergunta sobre o que a adesão e o afastamento do cristianismo evangélico
produzem em sujeitos negros. A pesquisa parte de três hipóteses: que a salvação cristã integra uma gramática de
classificação e gestão de vidas negras, aqui nomeada dispositivo racial de salvação; que o governo religioso pode
permanecer incorporado mesmo após o afastamento institucional, de modo que a ruptura é processo heterogêneo e
não evento único; e que essa ruptura pode fissurar a separabilidade sobre a qual o dispositivo organiza o mundo,
abrindo espaço para formas de autodefinição sem identidade fixa. Metodologicamente, articula abordagem qualitativa
e quantitativa a partir de três entrevistas em profundidade e um relato autobiográfico; análise de conteúdo em portais
de notícias e redes sociais e um survey semiaberto de amostra não probabilística com 351 pessoas negras que
consideram ter rompido em algum grau com a igreja evangélica, majoritariamente mulheres e com formação superior.
O trabalho está organizado em três partes: a primeira reconstrói a formação histórica do campo evangélico brasileiro e
a arquitetura conceitual do dispositivo racial de salvação, à luz de Sueli Carneiro, Carly Machado e Sylvia Wynter, e
apresenta o perfil da amostra do survey; a segunda desloca o olhar para a resistência, discutindo contramovimentos de
dentro do dispositivo proposto, reunindo os quatro testemunhos e suas confluências em torno de raça, gênero e
classe; a terceira desloca o eixo para a dimensão estética, propondo, com Denise Ferreira da Silva, Audre Lorde e Philip
Salim Francis, a poética negra feminista e a autodefinição como horizontes interpretativos, ilustrados por produções
artísticas negros que ressignificaram sua experiência com o cristianismo evangélico, como Bia Ferreira, Ventura Profana
e Maxwell Alexandre. Os resultados mostram que o motivo de ruptura mais citado é a violência ligada a valores e
identidade pessoal, confirmando a articulação interseccional entre raça, gênero e sexualidade, e que quase metade da
amostra não se reconhecia como negra enquanto estava na igreja — reconhecimento que, após a saída, não implica
adesão automática a religiosidades afro-brasileiras. Conclui-se que a ruptura não conduz a uma nova identidade
religiosa estável, mas pode desestabilizar a exigência de que o sujeito negro ocupe uma posição fixa, permanecendo a
fronteira como condição, e não como etapa a superar.


MEMBROS DA BANCA:
Interno - 2266944 - ALEX GIULIANO VAILATI
Presidente - 2510116 - ANA CLAUDIA RODRIGUES DA SILVA
Externa à Instituição - CARLY MACHADO - UFRRJ
Interno - ***.747.734-** - GILSON JOSE RODRIGUES JUNIOR - UFPE
Externa à Instituição - JACQUELINE MORAES TEIXEIRA - USP
Externo à Instituição - ROSANE BORGES - PUC - SP
Notícia cadastrada em: 14/09/2026 13:13
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