WALDEMAR VALENTE E A FORMAÇÃO DO CAMPO ANTROPOLÓGICO EM
PERNAMBUCO: UMA ANÁLISE A PARTIR DE SUA BIBLIOTECA PESSOAL
WALDEMAR VALENTE; HISTÓRIA DA ANTROPOLOGIA; ANTROPOLOGIA EM PERNAMBUCO;
ARQUIVOS INTELECTUAIS
Esta dissertação objetiva analisar a trajetória intelectual de Waldemar Valente e sua atuação no processo de institucionalização
da antropologia em Pernambuco, tomando como eixo central sua biblioteca pessoal enquanto infraestrutura material e simbólica do campo
científico. Ao deslocar o olhar da obra isolada para o acervo que a sustenta, a pesquisa compreende a biblioteca como arquivo intelectual,
espaço de formação, de circulação de saberes e de produção ativa de autoridade disciplinar.
Dessa forma, a partir da análise sistemática do acervo e do exame articulado de suas obras publicadas e do manuscrito inédito Introdução
ao Estudo da Antropologia Cultural I (1953), sustenta-se que Valente não pode ser reduzido à mera condição e intelectual “autodidata”,
“amador”, “provinciano” ou “marginal” ao campo disciplinar. Ao contrário, evidencia-se seu papel como agente de sistematização,
organização e transmissão do conhecimento antropológico em um contexto regional marcado por disputas institucionais e por processos
incipientes de consolidação disciplinar.
Portanto, dialogando com a antropologia dos arquivos e com a historiografia crítica da disciplina, o trabalho problematiza os regimes de
visibilidade, as ausências e as hierarquizações que atravessaram a formação do campo antropológico em Pernambuco ao longo do século XX.
Reescrevendo Valente como intelectual estrategicamente situado nos circuitos locais e redes mais amplas de produção científica, a pesquisa
contribui para a história da antropologia brasileira ao enfatizar as dinâmicas regionais, as infraestruturas de legitimação e os modos pelos
quais a autoridade etnográfica é construída, negociada e estabilizada.