VER-SE XUKURU: MEMÓRIA, CONSUMO AUDIOVISUAL E
CONSTRUÇÃO ÉTNICA NA SERRA DO ORORUBÁ PELA ÓTICA DA ANTROPOLOGIA VISUAl
Antropologia Visual, Cinema indígena, Xukuru
Este projeto de dissertação, investiga a construção da memória coletiva e da
identidade étnica dos Xukuru do Ororubá, em Pernambuco. A pesquisa foca no
consumo das produções audiovisuais da Ororubá Filmes, um coletivo fundado pela
juventude local em 2008. O estudo identifica uma lacuna na literatura sobre cinema
indígena: enquanto a maioria dos trabalhos foca no polo da produção (quem filma e
como), esta pesquisa desloca o olhar para a recepção e circulação. O objetivo
central é analisar o que ocorre quando os moradores da Serra do Ororubá assistem
a imagens de si mesmos produzidas por seus próprios "parentes". Fundamentada
na antropologia visual, a base teórica articula os conceitos de memória coletiva de
Maurice Halbwachs, como prática viva e afetiva,e de memórias subterrâneas de
Michael Pollak como campo de disputas narrativas, e a identidade étnica como
processo dinâmico e relacional vinculado ao território, à ancestralidade e à luta
política, refletindo o histórico de lutas e retomadas do povo Xukuru. A identidade
étnica é tratada como um processo dinâmico e relacional, profundamente ligado ao
território, à ancestralidade e à luta política. Além disso, utiliza-se a análise narrativa
de Paul Ricoeur e a interpretação densa de Clifford Geertz para compreender como
os espectadores reconfiguram sua identidade ao narrar a experiência estética. A
metodologia é qualitativa e prevê a realização de entrevistas online
semiestruturadas com interlocutores Xukuru que não possuem vínculo direto com o
coletivo audiovisual. Um diferencial metodológico é o uso da elicitação visual, onde
trechos de vídeos selecionados pelos próprios interlocutores servem como
dispositivos para evocar memórias e reflexões identitárias.