Banca de QUALIFICAÇÃO: MAURICIO SOUZA JÚNIOR

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: MAURICIO SOUZA JÚNIOR
DATA : 15/06/2026
LOCAL: ufpe
TÍTULO:

O batismo da Jurema ou como nasce o segredo: O Povo indígena Brígida


PALAVRAS-CHAVES:

Etnologia indígena; Povos indígenas do Nordeste; Jurema; ritual


PÁGINAS: 51
RESUMO:

Esta proposta de qualificação analisa o processo de emergência étnica, territorialização e reorganização sociocultural do povo indígena Brígida, localizado no município de Orocó, no Sertão do São Francisco, em Pernambuco. Constituído por uma articulação heterogênea de famílias de diversas procedências (predominantemente Pankará e Atikum), o grupo aglutinou-se em um perímetro público irrigado após o desterro compulsório provocado pela construção da Barragem de Itaparica no final da década de 1980. A tese central defendida é que o ritual de batismo da Jurema funciona como o dispositivo político-religioso originário e estruturante que funda o regime de segredo, instaura a comunidade e legitima uma nova governança local, operando a transfiguração da agência política das massas em uma força transcendental que converte o espaço do reassentamento em território indígena. No plano teórico-metodológico, opera-se uma crítica radical às vertentes contemporâneas da Antropologia, especificamente à Virada Ontológica e à Religião Material, acusando-as de um idealismo metodológico que congela o nativo no mito ou fetichiza a agência sensorial dos objetos. Em contrapartida, propõe-se uma alternativa baseada no materialismo histórico de Maurice Godelier e Stephen Feuchtwang, compreendendo a ideologia religiosa como um componente interno e necessário das próprias relações materiais de produção e poder. A partir da metáfora marxista da "câmara escura", demonstra-se como a infraestrutura material do batismo (o esforço logístico, o rateio financeiro e o trabalho coletivo para erguer a aldeia) é conscientemente invertida pelo grupo, que credita o sucesso prático da mobilização terrena à intervenção e à benevolência da Força dos Encantados. Por fim, dialogando com as formulações de Clarice Mota sobre o segredo como estratégia de sobrevivência e de Godelier sobre o estatuto do inalienável, conclui-se que o monopólio sobre o fundamento guardado (as rezas ocultas na mata que consagram a tríade operativa entre mesa, cruzeiro e jurema sagrada) atua como um potente demarcador de alteridade e uma trincheira histórica que garante a coesão da parentela e a mediação política estratégica face ao aparato burocrático do Estado e à exploração do capital latifundiário e agroexportador na bacia do rio São Francisco.

 


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 287472 - EDWIN BOUDEWIJN REESINK
Interno - 2331195 - PETER SCHRODER
Externo à Instituição - ESTEVAO MARTINS PALITOT - UFPB
Notícia cadastrada em: 29/06/2026 11:12
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