ASPECTOS PRÁTICOS NAS MEDIÇÕES EM ATERRAMENTOS ELÉTRICOS: ESTUDO AVALIATIVO E PROPOSTAS DE CONTRIBUIÇÃO.
Aterramento; Resistência de aterramento; Impedância de aterramento; Método da queda de potencial; Acoplamento eletromagnético; Medição de potencial.
Apesar de amplamente consolidado como referência normativa para a avaliação de sistemas de aterramento, o método da queda de potencial apresenta limitações práticas que podem comprometer a confiabilidade das medições em cenários caracterizados por grandes dimensões, geometrias complexas e restrições físicas de espaço. Nessas condições, a necessidade de posicionar eletrodos auxiliares a grandes distâncias impõe o uso de cabos extensos para os circuitos de corrente e de tensão, favorecendo o acoplamento eletromagnético entre esses circuitos e dificultando a identificação de regiões de patamar na distribuição de potencial no solo. Nesse sentido, este trabalho investiga duas fontes centrais de incerteza associadas ao método da queda de potencial, a saber, o acoplamento eletromagnético longitudinal entre os cabos de medição e as limitações inerentes ao uso do circuito de tensão. Inicialmente, realiza-se uma análise crítica de modelos analíticos consagrados na literatura para a representação do acoplamento, avaliando seus domínios de validade e limitações à luz de simulações eletromagnéticas rigorosas, o que evidencia que, embora tais modelos apresentem bom desempenho em regimes quase-estáticos, surgem inconsistências físicas em cenários de maior interesse prático, caracterizados por frequências elevadas, solos de baixa resistividade e cabos de grande extensão. A partir desse diagnóstico, desenvolvem-se abordagens de modelagem fundamentadas em Teoria de Linhas de Transmissão, promovendo, assim, uma evolução conceitual em relação às formulações clássicas e evidenciando a necessidade de tratar o retorno de corrente pelo solo de forma compatível com a distribuição longitudinal das correntes e com a dependência em relação à frequência, resultando na proposição de um modelo com retorno pelo solo tratado de forma distribuída, voltado à ampliação da coerência física e da faixa de aplicabilidade da modelagem do acoplamento. Em paralelo, demonstra-se que as dificuldades associadas à medição de potencial não se restringem a aspectos operacionais, mas constituem limitações estruturais do método da queda de potencial quando aplicado em condições reais de campo, de modo que, como consequência direta dessa constatação, propõe-se uma metodologia alternativa para a medição da resistência de aterramento que elimina a dependência do circuito de tensão e se fundamenta em medições de corrente em regime estacionário e em relações algébricas obtidas a partir de arranjos compactos de eletrodos auxiliares. Por fim, verificações preliminares indicam a consistência algébrica da técnica e sua viabilidade em faixas de frequência compatíveis com aplicações práticas, de forma que, de modo integrado, os resultados apresentados contribuem para uma reinterpretação das limitações do método da queda de potencial e para o desenvolvimento de estratégias de medição e modelagem mais alinhadas às condições reais encontradas em subestações e ambientes urbanos complexos.