PONTOS QUÂNTICOS APLICADOS EM FLUOROIMUNOENSAIOS PARA A DETECÇÃO DE ANTICORPOS IgM
Nanopartícula. Microplaca. Papel. Fluorescência.
O desenvolvimento de plataformas biossensoras complementares e sensíveis tem se mostrado importante para o aprimoramento da detecção de biomarcadores associados a diferentes doenças. Nesse contexto, os fluoroimunoensaios são ferramentas promissoras, apresentando versatilidade para ser realizados em diferentes suportes, como microplacas e papel, incluindo o immunoblotting. A sensibilidade, a especificidade e a robustez desses ensaios estão associadas às sondas fluorescentes empregadas. Nesse âmbito, os pontos quânticos (PQs), nanocristais fluorescentes de semicondutores, podem ser uma alternativa para aprimorar o desempenho desses métodos, pois essas nanopartículas (NPs) apresentam vantajosas propriedades físico-químicas, tais como alta fotoestabilidade e superfície ativa para conjugação, por exemplo com anticorpos. Neste contexto, este estudo objetivou desenvolver conjugados de PQs e anticorpos anti-IgM (PQs-anti-IgM) e avaliá-los em fluoroimunoensaios baseados em microplaca e papel (immunoblotting) para detecção de IgM humano, como molécula modelo. Para tanto, PQs de CdTe foram sintetizados em meio aquoso, conjugados covalentemente aos anticorpos anti-IgM, e a eficiência da conjugação foi avaliada por ensaio fluorescente em microplaca (EFM). Para a montagem do fluoroimunoensaio em microplaca, inicialmente os poços foram sensibilizados com os anticorpos IgM humano, lavagens foram realizadas com solução salina (3×) e o bloqueio com albumina sérica bovina (BSA a 5%), com incubações overnight a 4 °C. A detecção da IgM pelo conjugado foi avaliada com incubações de 2 h e 30 min, também a 4 oC. A estabilidade do conjugado foi avaliada após armazenamento por 12 meses. Já para o immunoblotting, foram testadas duas membranas: (i) nitrocelulose e (ii) fluoreto de polivinilideno (PVDF). As membranas foram previamente cortadas no formato de tira com 1x3 cm (largura x comprimento) e hidratadas, respectivamente com água ultra-pura e metanol absoluto (PA). A tira de PVDF foi então lavada com água ultra-pura e ambas as tiras foram secadas a 37 ºC. Por fim, o conjugado foi gotejado (3 µL) em ambas as membranas, com o objetivo de avaliar a formação e a definição da gota. Como resultados, os PQs apresentaram diâmetro de 3,2 nm e máximo de emissão em ca. 600 nm. O EFM indicou que a conjugação foi realizada com sucesso, com fluorescência relativa (FR%) de 5.477%. PQs-anti-IgM mostrou-se eficiente na detecção do IgM com tempo reduzido de detecção (30 min). Ademais, o conjugado se mantive fluorescente e ativo por pelo menos 12 meses de armazenamento, indicando ter estabilidade. Já em relação às membranas, a formação da gota ficou com melhor definição na tira de PVDF, sem espalhamento excessivo, sendo, portanto, a mais adequada para os próximos ensaios a serem realizados. Portanto, o conjugado PQs-anti-IgM mostrou-se promissor para ser aplicado em fluoroimunoensaios indiretos, com potencial de ser utilizado na detecção de anticorpos IgM associados a doenças.