LOGÍSTICA REVERSA DE MEDICAMENTOS E PRODUTOS PARA USO PESSOAL: uma investigação da sustentabilidade a partir de Recursos Educacionais Abertos (REA)
Logística reversa; Medicamentos; Sustentabilidade; Recursos Educacionais Abertos; Educação em saúde; Gestão de resíduos; Saúde ambiental.
O descarte inadequado de medicamentos vencidos ou em desuso e de produtos utilizados no cuidado em saúde constitui um problema que envolve riscos à saúde humana, impactos ambientais e desafios relacionados à gestão sustentável de resíduos. Nesse contexto, a logística reversa de medicamentos apresenta-se como uma estratégia de responsabilidade compartilhada, cuja efetividade depende não apenas da existência de regulamentações e estruturas de coleta, mas também do conhecimento e da participação da sociedade. Este estudo teve como objetivo investigar a sustentabilidade da logística reversa de medicamentos e produtos para uso pessoal a partir da perspectiva dos Recursos Educacionais Abertos (REA), buscando compreender o papel da educação na promoção de práticas seguras e ambientalmente responsáveis. Trata-se de um estudo de abordagem qualitativa, desenvolvido a partir de análise documental e de uma scoping review da literatura, contemplando aspectos regulatórios, evidências científicas e relações entre logística reversa, educação e sustentabilidade. A análise documental considerou marcos normativos brasileiros relacionados à gestão de resíduos e ao descarte de medicamentos, incluindo a Política Nacional de Resíduos Sólidos, o Sistema de Logística Reversa de Medicamentos Domiciliares e o Plano Nacional de Resíduos Sólidos, além de normas sanitárias e ambientais pertinentes. A scoping review permitiu mapear evidências sobre práticas de descarte, acúmulo domiciliar de medicamentos, letramento em saúde, manejo seguro de resíduos e estratégias educativas. Os resultados evidenciam uma lacuna entre o conhecimento disponível e a adoção de práticas adequadas pela população, reforçando a necessidade de ações educativas acessíveis, permanentes e socialmente contextualizadas. A educação constitui, portanto, um elemento estruturante para fortalecer a logística reversa e ampliar a participação cidadã na proteção da saúde e do meio ambiente. Como produto, foi proposta uma formação continuada autoinstrucional, estruturada em formato de acesso massivo, com módulos e recursos didáticos fundamentados nos princípios da Educação Aberta e dos REA. A proposta busca democratizar o acesso ao conhecimento, apoiar o desenvolvimento do letramento em saúde e estimular práticas sustentáveis de descarte e manejo de medicamentos e produtos de uso pessoal. Conclui-se que a articulação entre logística reversa, educação aberta e sustentabilidade pode contribuir para transformar conhecimento em práticas sociais responsáveis, fortalecendo a responsabilidade compartilhada e o compromisso com a saúde, o meio ambiente e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030.