ANÁLISE ESPACIAL DAS NOTIFICAÇÕES DE ESPOROTRICOSE EM PERNAMBUCO: mapeamento e visualização de dados epidemiológicos com desenvolvimento de dashboard interativo.
Esporotricose; Saúde Pública; Análise espacial; Monitoramento epidemiológico; Pernambuco; Dashboard.
A esporotricose é uma micose subcutânea causada pelo fungo do complex Sporothrix schenckii, no qual consolidou-se como uma epidemia zoonótica no Brasil, em que o gato doméstico atua como o principal transmissor para populações humanas. Esta micose é causada por fungo, que se apresentam na forma mycelial em temperatura ambiente (25-30°C) e como levedura à temperatura corpórea (37°C). A doença pode acometer qualquer indivíduo, independentemente de sexo, idade ou etnia, sendo prevalente em regiões de clima temperado e tropical úmido. Nessa perspectiva, o objetivo desse estudo é investigar o desenvolvimento de um dashboard interativo para visualização, mapeamento e análise espacial dos dados epidemiológicos de esporotricose em Pernambuco. Este estudo se caracteriza como uma pesquisa de natureza descritiva, retrospectiva, de série temporal e com abordagem de base territorial (ecológico) sobre a Esporotricose Humana em Pernambuco. Os dados secundários foram obtidos a partir de fichas de notificação individual extraídas do banco estadual do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), acessadas via Protocolo de Transferência de Arquivos (FTP) da Secretaria Estadual de Saúde (SES/PE). Para a construção do perfil epidemiológico e análise espacial, as variáveis foram organizadas nas dimensões espaço-temporal, sociodemográfica e clínico-epidemiológica. Os dados foram processados no software QGIS para a criação de mapas coropléticos e aplicação da Estimativa de Densidade de Kernel para identificação de hotspots. Na etapa final, as métricas foram integradas ao Google Looker Studio para o desenvolvimento de um dashboard interativo, estruturado com mapas dinâmicos e indicadores de saúde para otimizar o monitoramento epidemiológico. Por fim, os resultados da pesquisa apontaram que nos dados secundários do SINAN/PE, a pesquisa analisou 2.919 notificações, das quais 1.893 foram confirmadas. Os resultados demonstram um aumento expressivo e contínuo da incidência, que saltou de 0,09 casos por 100.000 habitantes em 2016 para 4,79 em 2024, evidenciando a persistência do agravo como um problema crítico de saúde pública. O perfil epidemiológico revelou uma predominância do sexo feminino (64,5%), indivíduos pardos (58,4%) e pessoas na faixa etária de 40 a 49 anos, sugerindo que a vulnerabilidade está intrinsecamente ligada ao cuidado domiciliar de felinos. Na análise espacial identificou uma alta concentração na Região Metropolitana do Recife, mas também confirmou um processo de interiorização da doença em direção à Zona da Mata e ao Agreste, com municípios como Camutanga e Ferreiros registrando as maiores taxas de incidência do estado. Identificou-se, ainda, uma dependência estrutural do diagnóstico clínico- epidemiológico (57,7%) e gargalos assistenciais significativos, como a centralização laboratorial e um índice de 24,7% de casos com evolução final ignorada, indicando falhas no acompanhamento terapêutico. O dashboard interativo desenvolvido integrou dados cartográficos e indicadores demográficos, demonstrando ser uma tecnologia eficaz para superar a fragmentação da vigilância atual e permitir intervenções geográficas direcionadas. Destacando a necessidade urgente de descentralização do diagnóstico, capacitação profissional e implementação de estratégias de controle e o planejamento de políticas baseadas na perspectiva de Saúde Única para mitigar a transmissibilidade e a negligência institucional da esporotricose em Pernambuco.