Esta pesquisa investiga em que medida os parâmetros dimensionais
estabelecidos pela ABNT NBR 9050:2020 contemplam as especificidades
antropométricas das pessoas com nanismo no ambiente construído, analisando
criticamente sua correspondência funcional e propondo diretrizes ergonômicas
específicas para ampliar a autonomia, a segurança e a inclusão dessa
população. Adotou-se abordagem qualitativa, com suporte descritivo-
quantitativo e modelagem antropométrica proporcional de caráter exploratório,
estruturada em quatro etapas integradas: revisão sistemática integrativa da
literatura, investigação empírica com pessoas com nanismo e especialistas,
análise normativa documental da NBR 9050:2020 e síntese técnico-ergonômica
com proposição de diretrizes projetuais.
Os resultados evidenciam a invisibilidade normativa do nanismo, a insuficiência
de dados antropométricos específicos e a predominância de parâmetros
dimensionais baseados nos intervalos percentílicos de 5% a 95% da população
adulta brasileira, que não contemplam proporções corporais significativamente
distintas. As análises indicam que as principais limitações concentram-se nos
parâmetros de alcance manual, alturas funcionais, superfícies de uso, mobiliário,
equipamentos de autoatendimento e campos visuais, comprometendo a
operabilidade e a autonomia no uso cotidiano dos espaços.
Como contribuição, o estudo apresenta um conjunto sistematizado de diretrizes
ergonômicas aplicáveis ao projeto arquitetônico e urbanístico, organizadas por
categorias funcionais, e recomenda a inclusão de anexo técnico específico na
NBR 9050 com referenciais antropométricos representativos do nanismo.
Conclui-se que a efetivação do Desenho Universal depende da incorporação de
bases antropométricas que representem a diversidade corporal, sendo
necessárias revisões normativas e o desenvolvimento de pesquisas nacionais
que subsidiem a ergonomia inclusiva no ambiente construído.