ERGONOMIA AMBIENTAL EM AMBULATÓRIO PEDIÁTRICO: A PERCEPÇÃO DE CUIDADORES DE CRIANÇAS COM MICROCEFALIA
A Síndrome Congênita associada ao vírus Zika ocasionou importantes
repercussões para as crianças afetadas e seus cuidadores, ampliando a
demanda por serviços especializados de reabilitação. Nesse contexto, a
qualidade do ambiente construído torna-se um elemento relevante para a
promoção do acolhimento, da acessibilidade e da humanização do cuidado. Esta
pesquisa, a partir do diagnóstico realizado, teve o objetivo de propor diretrizes
projetuais para otimizar o espaço de um ambulatório pediátrico destinado aos
cuidados de crianças com Síndrome Congênita por Zika e Paralisia Cerebral,
visando aprimorar o conforto, a funcionalidade e a experiência de atendimento
para cuidadores e pacientes. Trata-se de um estudo de abordagem quali-
quantitativa, fundamentado na Metodologia Ergonômica para o Ambiente
Construído (MEAC). A investigação foi desenvolvida em duas fases: avaliação
física do ambiente e avaliação da percepção dos usuários. Participaram 43
cuidadores, aos quais foram aplicados o questionário sociodemográfico, uma
escala Likert, a Constelação de Atributos e o Poema dos Desejos. Os resultados
evidenciaram inadequações relacionadas à dimensão espacial, a ergonomia, ao
conforto ambiental, aos aspectos visuais e a humanização do ambiente. Os
cuidadores destacaram a necessidade de espaços mais amplos, climatizados,
acessíveis, acolhedores, com mobiliário adequado, áreas destinadas à
alimentação e troca de fraldas, além de melhorias na organização dos fluxos e
nos ambientes de apoio. Como resultado do diagnóstico ergonômico, foram
elaboradas diretrizes projetuais para a reorganização do layout dos ambientes,
a melhoria das condições de conforto ambiental, físico, arquitetônico e visual e
o fortalecimento da humanização dos espaços, considerando a viabilidade de
implementação e as limitações físicas da edificação. Conclui-se que a integração
entre a Ergonomia do Ambiente Construído e a percepção dos usuários constitui
importante subsídio para o planejamento de ambientes ambulatoriais pediátricos
mais acessíveis, funcionais e humanizados, contribuindo para a qualificação da
assistência prestada.