O FAZER MUSICAL NA FESTA DA MÃE PRETA: Cultura musical e identidade no quilombo Castainho (PE).
Música quilombola; Identidade cultural; Festa da Mãe Preta.
Esta pesquisa investigou de que modo o fazer musical presente na Festa da Mãe Preta, especialmente nas performances de quatro grupos musicais — Banda Folclore Verde, Coco Castelo Branco, Nação Quilombola Tigre e Zeza do Coco — se relaciona com a construção e a afirmação da identidade cultural quilombola. A festa, realizada anualmente na comunidade quilombola do Castainho, no município de Garanhuns (PE), configura-se como um importante evento cultural de resistência e preservação das tradições dessa população. O objetivo geral da pesquisa foi compreender a relação entre o fazer musical na Festa da Mãe Preta e a identidade quilombola do Castainho, com ênfase na resistência cultural e nos processos de transmissão dos saberes musicais. Como objetivos específicos, buscou-se: (1) identificar o fazer musical presente na Festa da Mãe Preta, analisando as práticas de criação, execução e interação dos músicos no contexto da festa e da comunidade quilombola; (2) analisar os processos de transmissão dos saberes musicais entre diferentes gerações de músicos, observando de que forma os músicos mais jovens aprendem, mantêm e ressignificam essas práticas; e (3) compreender os significados culturais atribuídos ao fazer musical pelos músicos e pela comunidade, investigando de que maneira a vivência musical no contexto da festa contribui para a construção da identidade cultural e para a resistência da comunidade quilombola. Metodologicamente, o estudo fez uso de uma abordagem etnográfica, valendo-se de entrevistas semiestruturadas, observação participante e análise videográfica das apresentações realizadas durante a festa. A coleta de dados envolveu entrevistas com o público da festa e com músicos atuantes no evento. A análise dos dados teve como propósito compreender de que modo o fazer musical, a partir de seus elementos simbólicos e performáticos, se articula aos processos de construção, afirmação e fortalecimento da identidade quilombola.