O tempo em Vermelho: O gesto e a permanência no processo criativo do
bordado.
Artes Visuais; Cartografia Poética; Bordado; Livro de Artista.
Esta pesquisa emerge de uma prática insistente: o bordado em vermelho como gesto
repetido, como permanência no tempo e como modo de sustentar uma duração. Aqui a cor
vermelha, recorrente ao longo do processo, deixa de operar apenas como escolha
cromática para constituir-se como matéria sensível que marca a passagem do tempo e
produz permanências.
Ao longo desse percurso, o fazer manual desloca-se de um lugar técnico para constituir-se
como campo de pensamento onde a investigação se desenvolve no entrelaçamento entre
imagem, escrita e experiência. A produção de imagens — aqui realizada por meio do
bordado — opera como campo de condensação sensível, onde pode ser compreendida
como experiência produtora de conhecimento. Metodologicamente, a pesquisa aproxima-
se da Cartografia, entendida como acompanhamento de processos em curso e não como
representação de um objeto fixo, inspirado no/as seguintes pensadores/pensadoras: Edith
Derdyk, Tim Ingold, Cecília Almeida Salles, Amir Brito Cadôr, Suely Rolnik, Leda Maria
Martins e Fayga Ostrower. Desse modo, trata-se de uma investigação implicada, na qual o
sujeito participa e se transforma ao longo do percurso. Investigo, assim, formas de] construir
presença a partir de um outro tempo — suspenso, ritual e íntimo — por meio do bordado
como prática de ancoragem no corpo, utilizando o gesto repetitivo como exercício de
insistência, permanência e transformação. Nesse percurso, a cor vermelha acompanha o
tempo do fazer, inscrevendo-se como presença recorrente que atravessa a experiência e
se materializa ora como suporte, ora como superfície. Como desdobramento da pesquisa,
um livro de artista reunirá os bordados produzidos ao longo do processo, assim como
fotografias, fragmentos de escrita e trechos
do diário que acompanhou essa travessia. Mais do que reunir registros, o livro como obra,
remete a um lugar onde pensamento e fazer permanecem em diálogo. Nele, o tempo, o
gesto, a permanência e o vermelho voltam a se encontrar, compondo uma narrativa visual
que prolonga a experiência da pesquisa.