PRÁTICAS E POÉTICAS: ANDANÇAS DE UM CURADOR.
Artes Visuais. Curadoria. Curadoria. Teorias da Curadoria. Relações em curadoria.
Esta pesquisa é conduzida por meio de escritos ensaísticos que se relacionam de forma
entropicamente correlata, nos quais se intercalam teoria, relatos autobiográficos e dados
oriundos das minhas experiências curatoriais. Esses materiais são sistematizados no diário
Caderno dos Fracassos, concebido como um dispositivo de compilação de documentos,
processos, dúvidas, erros e descartes. Parto de experiências sensíveis como metodologia
para contribuir com o campo da investigação em curadoria, lançando sobre os gestos
curatoriais um olhar caleidoscópico que os compreende como fenômenos poéticos,
relacionais e epistêmicos. Em oposição à consolidação da figura do curador como
especialista ou autoridade, a pesquisa propõe uma prática curatorial que observa, escuta,
fracassa e aprende a partir da instabilidade inerente aos encontros, às negociações e aos
contextos institucionais. A curadoria é compreendida, assim, não como um fim em si
mesma, mas como um meio sensível de produção de conhecimento, capaz de tensionar e
remodelar os modos de fazer, pensar e experienciar o fenômeno da arte. Estruturado em
cinco ensaios, o trabalho levanta problemas e questões específicas, mas que se costuram a
partir da seguinte pergunta central: quais aspectos da minha atuação como curador em
formação, no campo das artes visuais, revelam possibilidades de remodelar o entendimento
contemporâneo de curadoria? Ao longo do percurso, são abordados temas como a poiesis,
a figura do curador no interior dos sistemas e do mercado de arte, as relações de linguagem
e representação curatorial, bem como as experiências partilhadas com artistas que
tensionam e desafiam a posição do curador como mero organizador de exposições.