ABOIO – MEIO BICHO, MEIO GENTE
Performance; Arte vida; Poética; Processo de criação; Corpo Encruzilhada; Reencantamento do
Mundo; Cotidiano Extraordinário.
Esta escrita apresenta o processo de criação, estreia e transformação da performance Aboio,
investigação artística que articula corpo, memória, deslocamento, cultura popular brasileira e experiências
de alteridade a partir da relação da autora com a figura do boi. Desenvolvida como terceiro trabalho da
trilogia Poética das Travessias, a obra emerge de memórias de trabalho, experiências corporais com boi bicho
e da vivência da autora como “miolo” de boi em brincadeiras populares brasileiras. A pesquisa tem como
metodologia a cartografia afetiva e parte de acontecimentos autobiográficos como processos migratórios e
transformações identitárias para compreender a criação artística como campo de travessia, contaminação e
devir. Dialogando com autores como Francisco Varela, Didi Huberman, Humberto Maturana, Donna Haraway,
Gilles Deleuze e Antonin Artaud, o trabalho investiga noções de hibridismo, autopoiese, corpo sem órgãos e
alteridade, entendendo o corpo como território de experimentação e negociação contínua com o outro. A
figura do boi é abordada simultaneamente como animal, símbolo, memória corporal e dispositivo
performativo, produzindo estados de deslocamento entre humano e não humano, realidade e magia, vida e
morte. A dissertação compreende Aboio como prática performativa radicalmente corporal, em que a
experiência artística se constrói a partir do risco, da presença e da transformação sensível do corpo em
relação ao mundo.