VIVÊNCIAS DE UMA EDUCADORA NEGRA EM MUSEUS E TERREIRO: NA CONFLUÊNCIA DE SABERES ORGÂNICOS E SINTÉTICOS.
Educadores em Museus. Formação em Museus. Centro Cultural Quilombo do Catucá. Saberes Orgânicos. Espaços Sintéticos.
Esta dissertação tem por objetivo investigar os saberes que educadoras negras podem
construir ao trabalhar em museus e também vivenciar terreiros de Candomblé e Jurema
Sagrada. Como objetivos específicos apresenta o Ilê Axé Alaketu Oyá T’Ogum/Centro
Cultural Quilombo do Catucá, situado no município de Camaragibe, Pernambuco,
enfatizando sua história e as experiências formativas compartilhadas no encontro da
religiosidade afro indígena com a arte e a educação; problematiza o museu como espaço
formativo, além dos desafios e possibilidades encontradas por educadoras negras ao
trabalhar nessas instituições; dialoga com quatro mulheres negras, educadoras em
museus e colaboradoras da investigação, a fim de registrar práticas e pensamentos
gestados no encontro entre tais profissionais, suas comunidades religiosas e suas
atuações em instituições museais. Metodologicamente opta pela Investigação Narrativa
(Clandinin; Connely, 2015), por meio da troca de cartas entre a investigadora e as
colaboradoras, a fim de argumentar que a vivência em terreiros e museus produz saberes
religiosos, culturais, educativos, artísticos e intelectuais. A partir do entendimento dos
conceitos de confluência e transfluência, bem como de saberes orgânicos e sintéticos,
gestados no pensamento contracolonial de Antônio Bispo dos Santos, Nego Bispo (Bispo,
2015), articula a argumentação com referências de Gonzalez (2020), hooks (2019), Bueno
(2020) e Sampaio (2022). Defende que educadoras negras desenvolvem saberes ao
vivenciar terreiros por meio da corporeidade, da oralidade, das imagens circulares e da
gira. Os museus, por sua vez, operam sob a lógica dos saberes sintéticos da linearidade,
do texto escrito e da hierarquização. Destaca o papel das educadoras negras na
promoção de instituições menos colonialistas e excludentes para visitantes e outros
educadores. Conclui que a formação de mulheres negras educadoras em museus pode
acontecer na transfluência de espaços orgânicos e espaços sintéticos, tensionando
saberes e práticas educativas.