EXPOSIÇÃO MATERNA AO ÁCIDO VALPRÓICO NA GESTAÇÃO COMO MODELO EXPERIMENTAL DE TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA (TEA): ESTUDO DOS EFEITOS DA INTERVENÇÃO COM AMBIENTE ENRIQUECIDO NA EXPRESSÃO DE NEURÔNIOS SEROTONINÉRGICOS EM PROLE DE RATOS WISTAR.
Modelo animal de autismo; Enriquecimento ambiental; Serotonina; Comportamento social; Imuno-histoquímica; Ratos; Plasticidade fenotípica
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por prejuízos na interação social e por padrões restritos e repetitivos de comportamento. Entre os fatores ambientais associados ao desenvolvimento do TEA, destaca-se a exposição gestacional ao ácido valpróico (VPA), amplamente utilizada em modelos experimentais por reproduzir alterações comportamentais e neurobiológicas observadas em indivíduos com autismo. Evidências sugerem que o sistema serotoninérgico desempenha papel central na fisiopatologia do TEA, enquanto o ambiente enriquecido (AE) surge como uma estratégia não farmacológica capaz de modular a plasticidade neural e o comportamento. Dessa forma, o presente estudo investigou os efeitos do AE sobre o comportamento social e a expressão de neurônios serotoninérgicos na prole de ratos Wistar machos submetidos ao modelo experimental de TEA induzido por VPA. Ratas prenhes receberam administração de VPA (600 mg/kg) ou solução salina no 12,5º dia gestacional. Após o desmame, os filhotes foram distribuídos em quatro grupos experimentais: Salina + Ambiente Controle (SALC), Salina + Ambiente Enriquecido (SALE), VPA + Ambiente Controle (VPAC) e VPA + Ambiente Enriquecido (VPAE). Foram avaliados parâmetros de crescimento corporal, comportamento social por meio do teste de sociabilidade de três câmaras e imunorreatividade para o transportador de serotonina (SERT) no Núcleo Dorsal da Rafe (NDR). A exposição gestacional ao VPA não alterou o peso corporal das nutrizes durante a gestação e lactação, bem como não promoveu diferenças significativas no crescimento corporal da prole. No período pós-desmame, os animais expostos ao VPA apresentaram redução significativa do índice de sociabilidade em comparação aos controles (0,6229 ± 0,2044 vs. 0,8286 ± 0,1406; p = 0,049), confirmando prejuízo na interação social compatível com o fenótipo autista. As análises imunohistoquímicas encontram-se em andamento, sendo observada até o momento imunorreatividade para SERT em fibras e varicosidades neuronais nos grupos avaliados. Os achados preliminares confirmam a eficácia do modelo experimental induzido por VPA na promoção de déficits sociais, enquanto a conclusão das análises histológicas permitirá esclarecer o potencial do ambiente enriquecido como estratégia moduladora do sistema serotoninérgico e do comportamento social no TEA experimental.