EFEITO DO TREINAMENTO PLIOMÉTRICO SOBRE A ANTROPOMETRIA, COMPOSIÇÃO CORPORAL E NÍVEIS DE APTIDÃO RELACIONADA À SAÚDE DE CRIANÇAS EM VULNERABILIDADE SOCIOECONÔMICA NO MUNICÍPIO DE VITÓRIA DE SANTO ANTÃO-PE
Indicadores antropométricos; Saúde infantil; Desempenho físico; Fatores Socioeconômicos; Criança.
A infância constitui um período crítico para o crescimento e o desenvolvimento, no qual fatores socioeconômicos podem influenciar a composição corporal, os indicadores antropométricos e a aptidão física relacionada à saúde. Intervenções baseadas em exercício físico estruturado, como o treinamento pliométrico, têm sido propostas como estratégias para a promoção da saúde em populações escolares em situação de vulnerabilidade social. O objetivo deste estudo foi investigar o efeito de oito semanas de treinamento pliométrico sobre a antropometria, a composição corporal e a aptidão física relacionada à saúde em crianças de 7 a 10 anos de acordo com o nível socioeconômico. Trata-se de um estudo de intervenção, de delineamento quase-experimental, realizado com 43 participantes de ambos os sexos, estratificados por nível socioeconômico em média/baixa renda (MEDBR) e muito baixa renda (MBR), segundo a Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP), e distribuídos em grupo controle (n=20) e grupo intervenção (n = 23). A intervenção consistiu em um programa de treinamento pliométrico com duração de oito semanas. O treino foi realizado em dias não consecutivos e tinha a duração de 20 minutos por sessão. Foram avaliados, antes e após a intervenção, indicadores antropométricos (massa corporal, estatura, índice de massa corporal, IMC-para-idade, circunferência da cintura, circunferência do quadril, relação cintura-estatura e dobras cutâneas), bem como variáveis da aptidão física relacionada à saúde. As análises estatísticas incluíram testes paramétricos e não paramétricos, conforme a distribuição dos dados. Na avaliação antropométrica e de composição corporal, não foram observadas diferenças entre os grupos no momento pr é-intervenção. Após oito semanas, no grupo controle MEDBR observou-se aumento da altura (131,42 ± 11,14 para 139,58 ± 9,94 cm), circunferência da cintura (62,63 ± 10,64 para 65,96 ± 11,74 cm), circunferência do quadril (73,27 ± 10,40 para 78,66 ± 12,01 cm) e IMC-para-idade (0,89 ± 1,67 para 2,01 ± 2,63). No grupo intervenção MEDBR, verificou se aumento apenas da circunferência da cintura (54,50 ± 19,37 para 61,61 ± 11,30 cm). No grupo controle MBR, houve aumento da altura (135,44 ± 8,11 para 141,06 ± 8,14 cm), circunferência da cintura (63,25 ± 7,50 para 65,75 ± 8,98 cm), circunferência do quadril (71,05 ± 9,62 para 76,20 ± 7,82 cm) e IMC-para-idade (0,46 ± 1,35 para 1,52 ± 1,76). No grupo intervenção MBR, observou-se aumento da altura (135,58 ± 6,81 para 138,16 ± 5,91 cm) e do IMC-para-idade (0,06 ± 1,12 para 1,57 ± 1,33), sem alterações nos demais indicadores de adiposidade. Em relação à aptidão física, no momento pré-intervenção houve diferença significativa na flexibilidade no grupo MEDBR e nas variáveis flexibilidade e força abdominal no grupo MBR. Após a intervenção, o grupo MBR apresentou melhorias significativas na preensão manual direita, preensão manual esquerda e flexibilidade. Conclui-se que o treinamento pliométrico promoveu benefícios mais evidentes na aptidão física de crianças em maior vulnerabilidade socioeconômica e pode ter contribuído para atenuar o aumento de indicadores de adiposidade ao longo do período de intervenção.