BIORREDUÇÃO DE CHALCONAS MEDIADAS POR FUNGOS
FILAMENTOSOS AMAZÔNICOS: AVALIAÇÃO COMPARATIVA ENTRE
MEIO SÓLIDO E MEIO LÍQUIDO
Chalconas; dihidrochalconas; meio sólido; meio líquido; fungos.
As chalconas constituem uma importante classe de flavonoides de cadeia aberta, reconhecidas por
suas diversas atividades biológicas e potencial farmacológico. A presença do sistema α,β-
insaturado confere elevada reatividade química, tornando essas moléculas substratos promissores
para transformações seletivas. Nesse contexto, as biotransformações mediadas por
microrganismos representam uma estratégia sustentável para a modificação estrutural de
compostos bioativos sob condições brandas. O presente estudo teve como objetivo avaliar o
potencial biocatalítico de fungos filamentosos amazônicos na biotransformação de chalconas, com
ênfase na redução quimiosseletiva da ligação dupla C=C do sistema α,β-insaturado. Inicialmente,
foi realizada a triagem de linhagens fúngicas utilizando a chalcona 1a como substrato modelo, em
sistemas de cultivo em meio sólido (estado sólido) e em meio submerso. Os ensaios foram
conduzidos variando-se o tempo de incubação e a temperatura. Os resultados demonstraram a
predominância da biorredução da ligação C=C, conduzindo à formação de diidrochalconas. O
cultivo em estado sólido apresentou desempenho superior, proporcionando maiores conversões em
menor tempo. Destaca-se o fungo Penicillium citrinum, que promoveu conversão total da chalcona
1a em dois dias nesse sistema. O isolado A1C2-06 também apresentou elevada eficiência (93,65%
em dois dias), enquanto no meio líquido foram observadas conversões inferiores no mesmo
período. A temperatura de 30 °C mostrou-se mais adequada para manutenção da atividade
catalítica. A análise por CG-MS confirmou a formação dos produtos biorreduzidos, evidenciando
aumento de duas unidades de massa, compatível com a adição de hidrogênio à dupla ligação α,β-
insaturada. Adicionalmente, foram avaliados os derivados de chalcona 2a–d frente aos fungos
Aspergillus flavus e Penicillium citrinum. Apenas a chalcona 2a apresentou indícios de
biotransformação, com formação preliminarmente atribuída ao produto de biorredução (m/z 240).
As estruturas propostas foram fundamentadas nos dados de espectrometria de massas, uma vez
que não foi possível o isolamento dos produtos em quantidade suficiente para caracterização
completa por RMN. Com base na literatura consultada, não foram identificados relatos sobre a
aplicação de extratos enzimáticos oriundos de cultivo em estado sólido na biotransformação de
chalconas, evidenciando o caráter inovador da abordagem. Os resultados demonstram que fungos
filamentosos amazônicos constituem uma fonte promissora de enzimas redutoras, destacando o
cultivo em estado sólido como estratégia eficiente e sustentável para a obtenção de
diidrochalconas.