IMPLANTES INTRAOCULARES BASEADOS EM REDES POLIMÉRICAS DE METACRILATO DE IMIDAZÓLIO PARA LIBERAÇÃO CONTROLADA DE DEXAMETASONA.
Administração intravítrea; Fotopolimerização; Modulação da liberação; Carreamento de fármacos; Matrizes poliméricas.
A uveíte é a inflamação da úvea, camada intermediária do globo ocular, situada entre
a esclera e a retina. É uma condição séria que pode evoluir para comprometimento
irreversível da visão quando não adequadamente controlada. Embora os
corticosteroides, como a dexametasona, representem a principal estratégia
terapêutica, a administração sistêmica associa-se a vários efeitos adversos, enquanto
as injeções intraoculares, apesar de eficazes, são invasivas e requerem reaplicações
frequentes. Nesse contexto, sistemas implantáveis de liberação sustentada emergem
como alternativa promissora para otimizar a eficácia terapêutica e reduzir as
complicações associadas ao tratamento convencional. Neste estudo, o objetivo é
desenvolver e caracterizar modelos de implantes intravítreos obtidos por impressão
3D, baseados em redes poliméricas reticuladas de metacrilato de imidazólio,
destinadas à liberação controlada de dexametasona. As matrizes produzidas
apresentaram propriedades mecânicas adequadas, estabilidade térmica e morfológica
compatíveis com a aplicação proposta, além de boa viabilidade celular em ensaios
com células Vero e corneanas, indicando biocompatibilidade preliminar. Os sistemas
desenvolvidos exibiram perfis distintos de liberação, permitindo modular o tempo de
liberação do fármaco conforme a composição da rede. A cinética foi governada por
um mecanismo combinado de difusão e relaxamento da matriz polimérica, sendo
influenciada pela natureza do reticulante, pela densidade de reticulação, pela carga
de fármaco e pela temperatura. Adicionalmente, o controle do caráter hidrofílico das
matrizes evidenciou uma forte correlação entre o intumescimento e o comportamento
cinético, reforçando a relação entre estrutura e desempenho funcional. De forma
integrada, os resultados demonstram que a modulação estrutural das redes
fotopolimerizáveis permite ajustar, de maneira previsível, a taxa e o mecanismo de
liberação da dexametasona. Assim, os sistemas propostos configuram plataformas
tecnicamente viáveis e promissoras para administração intravítrea prolongada, com
potencial para reduzir a frequência de intervenções e contribuir para o aprimoramento
do manejo terapêutico da uveíte.