DESENVOLVIMENTO DE SOFTWARE PARA MONITORAMENTO DA EVASÃO
IMUNOLÓGICA DAS CEPAS CIRCULANTES DO VÍRUS DENGUE
Carga; SASA; Mutações; Poisson-Boltzmann; Proteínas.
A distribuição eletrostática das superfícies moleculares é um fator físico-químico
inerente às interações biológicas e suas consequências nos seres vivos. Nesse projeto,
foi desenvolvida uma ferramenta baseada em Python, implementada no Google Colab,
chamada EMSAP, que significa Electrostatic Molecular Surface Analysis Platform
(Plataforma de Análise da Superfície Molecular Eletrostática), para analisar possíveis
alterações nos potenciais eletrostáticos da superfície de proteínas devido a mutações
pontuais. A ferramenta integra dados de predição de sequências pelo AlphaFold 3,
resoluções do modelo de Poisson–Boltzmann e aplicações do algoritmo de Área de
Superfície Acessível ao Solvente (SASA) para calcular oito métricas-chave: Potencial
Exposto pelo SASA (PSASA), Carga Exposta pelo SASA (QSASA), Porcentagem de
Carga Exposta (ECP), Índice de Polarização Eletrostática (EPI), Estimador de Energia
de Superfície Eletro-Hidrofóbica (EHSEE), Índice pKa cumulativo exposto ao solvente
(pKa-I), Estimador de Estabilidade Eletrostática (ESE) e Energia de Solvatação (SE).
Utilizando dados estruturais da proteína Envelope do vírus da Dengue sorotipo II
(DENV-II), do Domínio de Ligação ao Receptor (RBD) da proteína Spike do SARS
CoV-2 e das proteínas GC e GN foram observadas algumas alterações significativas
nas métricas físico-químicas, além do software ter obtido êxito em conseguir agrupar os
genótipos por grupos apenas pelas propriedades químicas listadas, o que provoca a
atenção para a possibilidade de métricas físico-químicas possuírem relevância
suficiente para complementar estudos envolvendo variabilidade genética entre
genótipos e variantes e possíveis evasões imunológicas.