O ingresso de estudantes indígenas e quilombolas no ensino superior ocorre, em grande medida, em contextos institucionais marcados pela hegemonia de epistemologias ocidentais, frequentemente hostis às suas referências culturais e aos seus sistemas próprios de saber e cuidado. A centralidade do modelo biomédico no currículo universitário contribui para o afastamento desses estudantes de suas práticas tradicionais, configurando um cenário de dupla marginalização acadêmica e cultural. Ademais, desigualdades sociais e econômicas estruturais impõem obstáculos adicionais à sua permanência e trajetória universitária. O objetivo deste projeto produzir um espaço intercultural de compartilhamento de saberes e práticas em saúde, a partir dos registros orais e escritos das práticas tradicionais, promovendo o respeito e valorização das medicinas indígenas, quilombolas e de outras comunidades tradicionais e originárias, favorecendo o protagonismo e a visibilidade dessas populações. O projeto terá a seguinte metodologia: duração de 14 meses e será desenvolvido nos territórios e nos campi de Recife, Vitória e Caruaru da UFPE. O projeto terá como público-alvo interno os estudantes que ingressaram na UFPE por meio de ações afirmativas; Estudantes, docentes e/ou técnicos administrativos que tenham experiência em cuidados ancestrais e integrativos em saúde. O público alvo externo será composto por pessoas de terreiros, associações e/ou lideranças locais quilombolas e indígenas, raizeiros, benzedeiras e parteiras dos territórios mapeados na presente proposta. O projeto está inserido na área temática de saúde e contempla ações afirmativas e de inovação social. Resultados esperados: impacto na formação, na permanência e na saúde dos estudantes negros, quilombolas e indígenas da UFPE; interação dialógica entre a universidade e a comunidade externa, envolvendo a população quilombola e indígena mapeadas no estudo; integração entre saberes e práticas acadêmicos e tradicionais, através da interdisciplinaridade, interprofissionalidade e diálogo com a comunidade externa; transformação social e estímulo à construção de um currículo decolonial para fortalecer uma instituição de ensino justa, com práticas antirracistas de cuidado; estímulo à interface pesquisa-extensão acadêmica com ênfase na Saúde, Educação e Cultura.
Estudantes que ingressaram na UFPE por meio de ações afirmativas; Estudantes, docentes e/ou técnicos administrativos que tenham experiência em cuidados ancestrais e integrativos em saúde
Pessoas de terreiros, associações e/ou lideranças locais quilombolas e indígenas, raizeiros, benzedeiras e parteiras dos territórios mapeados na presente proposta
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